Empresas brasileiras falham em proteger IA de ataques cibernéticos

Apenas 45% das empresas brasileiras contam com planos de recuperação abrangentes para cenários de ataque a sistemas de inteligência artificial (IA), segundo o quinto relatório anual de ciber-resiliência global da Cohesity. O estudo também mostra que 51% das companhias no país não têm sequer um inventário centralizado das aplicações de IA em uso.

O levantamento expõe uma lacuna crítica entre a adoção da tecnologia e a capacidade de protegê-la. Embora 99% das organizações utilizem sistemas de IA, a maior parte não está preparada para lidar com incidentes que tenham a própria IA como alvo.

As melhores notícias de tecnologia B2B

Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

Os números revelam fragilidades em múltiplas frentes. Entre os 3.200 líderes de tecnologia da informação (TI) e segurança ouvidos pela pesquisa, 46% dos representantes brasileiros afirmam não ter plena confiança na capacidade de verificar a integridade de modelos de IA após um ataque, índice que sobe para 59% no recorte global. Além disso, 51% das empresas brasileiras e 56% das globais não se consideram bem preparadas para conter ações incorretas ou não intencionais executadas por agentes de IA ou copilotos.

Lacunas nos planos de resposta

Cerca de 64% das companhias brasileiras e 63% das globais admitiram ter encontrado lacunas significativas ou moderadas em seus planos de resposta quando um ataque cibernético com impacto material ocorreu nos últimos 12 meses. A cobertura insuficiente de modelos, pipelines e ferramentas de IA foi o principal ponto cego identificado.

Diante desse cenário, 99% dos líderes brasileiros e 97% dos globais afirmam que precisarão reformular seus planos de resposta para lidar com as ameaças das IAs avançadas (frontier AI). O vice-presidente da Cohesity para a América Latina, Gustavo Leite, diz que a urgência é imediata. “Os dados apontam para um problema que não pode ser adiado. É algo que precisa ser enfrentado agora”, afirma. “As empresas precisam ampliar os planos de resiliência para abranger sistemas, modelos e agentes de IA, e não apenas a infraestrutura tradicional, além de testar sua recuperação em condições realistas, não apenas na teoria”.

Leia mais: Ações de empresas de IA despencam globalmente após alertas de CEOs sobre riscos

Incidentes com Hugging Face e OpenAI

Os resultados ganham peso adicional a partir de um incidente de julho de 2026 envolvendo a Hugging Face e a OpenAI, no qual um agente de IA comprometeu outra organização e expôs diferenças de comportamento entre atacantes autônomos e humanos. Leite usa o episódio para ilustrar um risco que vai além da velocidade de ataque. “O perigo não é somente que a IA consiga realizar invasões mais rápido do que um humano, mas que ela pode continuar invadindo, em toda parte, de forma simultânea”, diz. “A prevenção continua sendo importante, mas já não é suficiente. Os conselhos de segurança precisam saber se a organização consegue manter suas operações quando uma violação se desenrola mais rápido do que a capacidade de resposta humana”.

O relatório recomenda que as empresas priorizem o mapeamento de dependências, com atenção especial à gestão de identidades e acessos, e adotem estruturas organizadas de avaliação de resiliência, como o modelo de “5 Passos para a Ciber-resiliência” da Cohesity.

A pesquisa foi realizada em julho de 2026 pela Vanson Bourne, empresa de pesquisa independente, a pedido da Cohesity. Além do Brasil, o estudo abrangeu Austrália, França, Alemanha, Índia, Japão, Singapura, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Fonte: https://itforum.com.br/noticias/empresas-brasileiras-ataques-ciberneticos/