Quase metade das organizações da América Latina não tem estrutura técnica suficiente para colocar em prática os investimentos em cibersegurança que planejam fazer nos próximos meses. O dado é da pesquisa CISO Survey da Kaspersky, realizada com líderes de cibersegurança da região e divulgada nessa quinta-feira (3).
O estudo expõe um descompasso entre intenção e capacidade. Enquanto 30% das empresas planejam adotar soluções de detecção e resposta estendida (XDR) nos próximos 12 meses e 51% pretendem ampliar os investimentos em ferramentas de detecção de ameaças, a falta de profissionais qualificados trava a transformação.
Para 48% dos respondentes, a escassez de especialistas em cibersegurança é a principal barreira para a modernização das operações. Outros 44% relatam ausência de conhecimento técnico interno para implementar novas tecnologias. Já 40% afirmam que suas equipes são pequenas demais para atender às necessidades atuais.
“O desafio da cibersegurança deixou de ser apenas adquirir novas tecnologias. Hoje, muitas empresas já entendem quais soluções precisam implementar, mas encontram dificuldades para operá-las de forma eficiente por causa da escassez de profissionais qualificados. Sem pessoas preparadas, mesmo plataformas avançadas podem se tornar um problema devido à alta escalada de alertas”, diz Roberto Rebouças, gerente-executivo da Kaspersky no Brasil.
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Ataques mais frequentes e mais sofisticados
O déficit de talentos se agrava em um cenário de ameaças crescentes. O levantamento mostra que 81% das empresas registraram aumento no volume de ataques nos últimos dois anos. Para 82%, esses ataques se tornaram mais sofisticados, o que eleva a necessidade de monitoramento contínuo e resposta rápida.
Com equipes enxutas, os profissionais concentram a maior parte do tempo em tarefas operacionais. As atividades que mais consomem a carga de trabalho das equipes de segurança são a análise da causa raiz de incidentes, citada por 44% dos respondentes, e a identificação de ameaças em tempo real, mencionada por 42%. Esse ciclo reduz o tempo disponível para treinamento, planejamento e evolução da arquitetura de segurança.
A pesquisa também aponta que parte dos profissionais ainda tem dúvidas sobre o papel de tecnologias como XDR, detecção e resposta de endpoint (EDR) e inteligência de ameaças, o que indica que o desafio vai além da contratação e envolve capacitação técnica contínua.
Recomendações da Kaspersky para o déficit de talentos
Para a empresa, reduzir o déficit exige uma estratégia em três frentes:
- Investir em programas de treinamento técnico e certificações especializadas para acelerar o desenvolvimento das equipes;
- Automatizar atividades repetitivas com tecnologias como XDR e orquestração, automação e resposta de segurança (SOAR), liberando os analistas para focar em incidentes mais complexos;
- Complementar a operação interna com provedores gerenciados de segurança (MSSPs) e serviços de detecção e resposta gerenciada (MDR/MXDR), aliviando a pressão sobre as equipes enquanto novos profissionais são capacitados.
“Não existe uma solução única para a escassez de profissionais. As organizações precisam investir na formação contínua das equipes, automatizar atividades repetitivas para aumentar a produtividade e recorrer a parceiros especializados quando necessário. Dessa forma, conseguem elevar rapidamente sua maturidade em segurança enquanto desenvolvem competências internas para o longo prazo”, afirma Rebouças.
Investimento em pessoas nos planos das organizações
O cenário tem um sinal positivo: 49% das organizações planejam investir em treinamentos específicos para profissionais de cibersegurança nos próximos 12 a 18 meses. O percentual é praticamente igual ao das empresas que pretendem ampliar os gastos com ferramentas de detecção de ameaças (51%), o que sugere que o mercado começa a tratar tecnologia e formação de pessoas como prioridades equivalentes.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/falta-profissionais-ciberseguranca-latam/

