Maioria das áreas financeiras opera nos estágios mais básicos de maturidade em IA

As áreas financeiras das médias e grandes empresas brasileiras estão presas nos estágios iniciais de adoção de inteligência artificial (IA), mesmo em um país que lidera o uso da tecnologia no ambiente corporativo. É o que mostra uma pesquisa realizada pela Barte com mais de 100 CFOs e líderes do setor. De acordo com o relatório, 89% dos times financeiros ainda operam nos dois primeiros níveis de uma escala de cinco estágios de maturidade em IA. Nenhuma empresa da amostra chegou aos dois patamares mais avançados.

A pesquisa classifica a adoção de IA no financeiro em cinco níveis: do uso individual e não padronizado, no nível um, até um sistema que aprende com o resultado das próprias decisões, no nível cinco. Os 89% concentrados nos dois primeiros estágios representam times em que a tecnologia ainda é usada de forma isolada, sem padronização. Apenas as empresas fora desse grupo declararam operar no nível 3, chamado no estudo de “sistema operacional” de IA; fase em que a tecnologia passa a explicar o que acontece no negócio, não apenas relatar números.

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O levantamento, realizado entre junho e julho de 2026, revela um paradoxo: o Brasil incorpora agentes de IA aos fluxos de trabalho em proporção maior que a média global, mas essa vantagem não se traduz dentro da função financeira das empresas.

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O dado mais contraintuitivo envolve o fechamento contábil. Quase metade das empresas da amostra, 48%, já encerra o mês em até cinco dias, e 93% o fazem em até 15 dias. Mesmo assim, 65% dos respondentes apontam o fechamento como o maior gargalo do financeiro. Entre as que já fecham mais rápido, esse percentual recua apenas para 64%. O porte tampouco diferencia o cenário: 64% das grandes empresas e 50% das pequenas fecham o mês em até cinco dias, e o fechamento aparece como principal gargalo em índices próximos entre companhias pequenas (60%), médias (68%) e grandes (69%).

Diferença por setor

O recorte setorial revela dois ritmos distintos. Em Tecnologia e software como serviço (SaaS), 94% das empresas apontam o fechamento como gargalo, e 74% da base já se posiciona no nível dois da escala. No segmento de Indústria, Varejo e Logística, 90% dos respondentes ainda se veem no nível um, e a conciliação bancária figura como dor de mesma intensidade que o fechamento.

O fenômeno não é exclusivo do Brasil. O relatório State of AI in Finance 2026, da CFO Connect, aponta o financeiro como a função corporativa com a menor adoção de IA entre todas as áreas de negócio, com 45% dos times globais ainda em fase piloto. Para o diretor-presidente da Barte, Caetano Lacerda, a velocidade de execução não resolve o problema central da função: “O mercado ficou rápido, mas não ficou maduro. O gargalo do fechamento não se resolve com mais velocidade, e sim subindo de camada tecnológica”.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/financeiras-maturidade-em-ia/