Segundo o vice-presidente da Cloudflare LATAM, Bert Milan, o Brasil é um dos mercados mais importantes para a companhia globalmente. A colocação tem relação com o peso digital do País: de acordo com o monitoramento da Statista, em abril de 2026, o Brasil tinha a quinta maior população digital do mundo, à frente dos demais países da América Latina, uma das regiões mais digitalmente conectadas do planeta.
Há cerca de 214 milhões de pessoas no Brasil, mas apenas uma parcela menor delas tem acesso à internet. Ainda assim, segundo Milan, essa comunidade gera 400 bilhões de requisições na internet por dia. “Como nuvem provedora desses acessos, este é um mercado importante para nós”, diz o executivo, em entrevista recente ao IT Forum.
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Atualmente, os pedidos citados já se dividem entre humanos e não humanos, sendo as movimentações dos agentes de inteligência artificial (IA) maior do que a de pessoas. O uso de IA tem, inclusive, aumentado exponencialmente a quantidade de tráfego online.
De acordo com a própria Cloudflare, só no segundo trimestre de 2026, a companhia atendeu a uma média de 387,8 bilhões de requisições diárias de conteúdo para o Brasil. No mesmo período, o País registrou um aumento de 17,7% no tráfego de internet em comparação com o trimestre anterior.
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Para Milan, a empresa pretende seguir proporcionando serviços para ambos os tipos de requisições, mas o momento também traz seus desafios. Entre as demandas citadas, cerca de 47,4 bilhões (12,2%) foram bloqueadas por serem ataques cibernéticos, um aumento de 178% em relação ao trimestre anterior. E os principais alvos incluíam bancos, serviços financeiros e seguros (20,29%), organizações cívicas e sociais (16,96%), logística, cadeia de suprimentos e transporte (8,53%), varejo (6,12%) e tecnologia da informação e serviços (5,70%).
“A maior parte do tráfego malicioso que observamos hoje ainda visa atacar sites na busca de fraudar sistemas. Essa é a ocorrência mais comum no Brasil: bilhões de tentativas de acesso não autorizado a contas bancárias ou outros ambientes protegidos por credenciais”, explica o executivo.
O quadro de ataque desenhado por Milan, segundo o Threat Analysis Report da Cloudflare, publicado em março deste ano, representa 95% das tentativas e é um padrão das intenções no Brasil. Apenas 5% das ameaças não visam causar um dano direto ou uma invasão, e têm o objetivo de derrubar o serviço da organização.
Em contrapartida, a chegada da IA mudou a fonte do ataque. “Há três ou quatro anos, muitos dos vetores de ataque que víamos no País eram gerados em território nacional, tanto a origem quanto o destino. Agora, estamos começando a ver mais tráfego vindo de fora para dentro, não que seja a maioria, mas é um volume maior”, afirma Milan.
Diante deste cenário, Milan vê a globalização da Cloudflare como uma vantagem competitiva, capaz de observar fatores de risco em todo o mundo e combatê-los na origem. E para isso, a companhia também utiliza IA em seu monitoramento de rede. O próximo desafio está então na IA agêntica, que traz como dificuldade a detecção de tráfego legítimo em meio ao ilegítimo. “Precisamos ser capazes de questionar os agentes em circulação. Ele está realmente agindo em nome do usuário?”, questiona.
Mesmo com todos os desafios presentes, Milan acredita que a IA agêntica traz mais oportunidades do que riscos. Olhando diretamente para o Brasil, o executivo afirma que a companhia pretende seguir focando nos segmentos de varejo, logística, governo e financeiro, e como estratégia pretende criar equipes altamente especializadas para atender cada um.
Apesar de não falar em números, Milan diz que “em janeiro, quando iniciarmos o próximo ano fiscal, estou muito confiante de que investiremos ainda mais no País”. A fala reforça o otimismo da Cloudflare com o mercado brasileiro, mesmo diante do cenário de ataques em alta.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/ia-ciberseguranca-cloudflare/

