Executivos latino-americanos preveem que IA dobre receitas até 2030, indica IBM

Setenta e um por cento dos executivos latino-americanos esperam que a inteligência artificial (IA) contribua de forma relevante para as receitas das suas empresas até 2030, mais que o dobro dos 40% que já relatam essa contribuição hoje. É o que mostra o Instituto de Valor para Negócios da IBM (IBM Institute for Business Value). O dado faz parte de uma pesquisa realizada pela empresa com dois mil executivos de alto escalão ao redor do mundo para entender como as lideranças empresariais da América Latina enxergam o papel da inteligência artificial (IA) até 2030.

A pesquisa revela, porém, uma tensão central: apenas 24% dos executivos têm clareza sobre de onde virão esses novos ingressos. Ao mesmo tempo, 69% temem que as iniciativas de IA fracassem por falta de integração com as operações centrais do negócio.

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Atualmente, 45% dos investimentos em IA na região se concentram em ganhos de eficiência. Segundo os executivos ouvidos, essa proporção deve se inverter: a expectativa é que 62% dos recursos destinados à tecnologia sejam direcionados para projetos de inovação até 2030. O total investido na área deve crescer cerca de 146% no mesmo período, conforme projeções dos próprios respondentes.

Nesse contexto, 56% dos executivos acreditam que a vantagem competitiva futura virá da capacidade de inovar, e não da otimização de recursos. Para extrair esse valor, 69% planejam reinvestir os ganhos de produtividade gerados pela IA em iniciativas de crescimento. A tecnologia deve ampliar a produtividade em 39% até 2030, segundo as projeções do estudo, e 69% dos respondentes esperam capturar a maior parte desses ganhos dentro desse prazo.

Modelos de IA e aposta na multimodalidade

A sofisticação dos modelos de IA é vista como a principal fonte de vantagem competitiva por 53% dos executivos consultados. Ainda assim, apenas 30% afirmam ter clareza sobre quais modelos precisarão operar até 2030.

As organizações apostam na diversificação tecnológica: 83% esperam ter capacidades multimodelo até lá, e 74% projetam que os modelos pequenos de linguagem (small language models, SLM) vão superar os grandes modelos de linguagem (large language models, LLM) em relevância. Empresas que já escalam IA em múltiplos fluxos de trabalho, com modelos menores e personalizados, antecipam ganhos de produtividade 24% maiores e margens operacionais 56% mais altas do que as demais. Sobre computação quântica, 58% acreditam que ela transformará seus setores até 2030, mas só 26% esperam utilizá-la de fato dentro desse prazo.

IA redefine lideranças e habilidades

O impacto da IA sobre as estruturas organizacionais também aparece como tema central do estudo. Os executivos estimam que 23% dos conselhos de administração terão um assessor de IA ou um corresponsável pela tomada de decisões até 2030. Para 73% dos respondentes, a tecnologia vai redefinir os papéis de liderança em toda a empresa; dois terços acreditam que ela criará funções de liderança inteiramente novas.

No campo das habilidades, 71% dos executivos dizem que os postos de trabalho estão durando menos, e 61% esperam que a maioria das competências atuais dos colaboradores fique obsoleta até 2030. Para 66%, a mentalidade importará mais que as habilidades técnicas. Organizações com foco primeiro em IA têm 48% mais chances de criar novas funções líquidas e 46% mais chances de redesenhar sua estrutura organizacional para extrair mais valor da tecnologia, segundo a análise do estudo.

“A IA não vai apenas dar suporte às empresas; ela vai defini-las”, afirma Lufer Padilla, sócio-diretor do IBM Consulting para a América Latina. “Até 2030, as empresas vencedoras vão integrar a IA em cada decisão e operação. Elas terão ativos de IA poderosos, se moverão mais rápido que os concorrentes, levarão inovações ao mercado com aceleração e entregarão resultados de negócios reais e mensuráveis por meio de tecnologia e automação.”

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/ia-dobre-receitas-ibm/