Por décadas, associamos progresso à construção de estradas, portos, usinas e grandes obras de engenharia. Elas foram, de fato, fundamentais para impulsionar o desenvolvimento econômico e conectar pessoas, mercados e oportunidades. Mas a infraestrutura que definirá o futuro terá uma outra característica: em grande parte, ela será invisível.
Conectividade, dados, inteligência artificial (IA) e computação em nuvem estão se tornando a base sobre a qual economias, governos, empresas e cidadãos construirão a próxima etapa de desenvolvimento humano. Não é apenas tecnologia. Trata-se da capacidade de ampliar oportunidades, reduzir desigualdades, democratizar o acesso ao conhecimento e criar soluções para desafios que hoje parecem complexos demais para serem enfrentados isoladamente.
As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
Por isso, quando discutimos o futuro do setor de telecomunicações, estamos falando de muito mais do que redes, antenas ou velocidade de conexão. Estamos falando da infraestrutura que permitirá a transformação digital da agricultura, a modernização da indústria, a evolução dos serviços públicos, a expansão da telemedicina, a educação conectada e o crescimento de novos modelos econômicos baseados em conhecimento e inovação. É difícil imaginar uma agenda de desenvolvimento sustentável para as próximas décadas que não passe pela conectividade.
Leia também: Especial IT Forum 35 anos: da videolocadora do pai à vice-presidência da Caixa
Mas essa transformação só fará sentido se for construída sobre pilares igualmente importantes. O primeiro deles é a inclusão. Não haverá futuro digital verdadeiramente próspero se parte da população permanecer desconectada das oportunidades criadas pela nova economia.
O segundo é a sustentabilidade. À medida que a tecnologia se torna mais presente em nossas vidas, cresce também a responsabilidade de desenvolver redes mais eficientes energeticamente, reduzir impactos ambientais e acelerar a descarbonização de diferentes setores da economia.
O terceiro é a confiança. Em um mundo movido por dados e inteligência artificial, o uso ético da tecnologia, a proteção da privacidade e a segurança digital deixam de ser diferenciais e passam a ser condições indispensáveis para a própria evolução da sociedade.
A inteligência artificial ilustra esse desafio de forma clara. Existe uma enorme expectativa em torno de sua capacidade de transformar negócios e impulsionar a produtividade. E essa expectativa é legítima. Mas a inteligência artificial não nasce no vazio. Ela depende de dados de qualidade. Os dados dependem de conectividade. A conectividade depende de investimentos contínuos, planejamento de longo prazo e políticas capazes de estimular inovação. Cada camada sustenta a seguinte. Nenhuma delas gera valor sozinha.
Talvez essa seja a grande lição para os próximos anos. O futuro não será definido apenas pelas tecnologias que conseguirmos criar. Será definido pela forma como escolheremos utilizá-las. A verdadeira inovação não estará apenas nos algoritmos, nas plataformas ou nos equipamentos mais avançados. Ela estará na capacidade de converter tecnologia em desenvolvimento humano, crescimento econômico sustentável e prosperidade compartilhada.
O Brasil possui uma oportunidade extraordinária diante de si. Temos uma população digitalmente engajada, uma matriz energética com disponibilidade única de recursos limpos, um ecossistema de inovação em expansão e a capacidade de usar a tecnologia para enfrentar desafios históricos. O que determinará nosso sucesso coletivo não será apenas a velocidade com que adotaremos novas ferramentas, mas a visão que teremos para colocá-las a serviço das pessoas.
Quando olharmos para trás, daqui a dez ou vinte anos, é provável que não nos lembremos das tecnologias que dominaram determinados períodos. Mas falaremos das transformações que elas possibilitaram, das barreiras que ajudaram a derrubar, das oportunidades que criaram e da capacidade que tivemos de usar conectividade, dados e inteligência artificial não apenas para tornar empresas mais eficientes, mas para construir uma sociedade mais inclusiva, sustentável e preparada para o futuro.
Porque, no final, o verdadeiro legado da tecnologia não será aquilo que ela nos permitiu fazer. Será aquilo que ela nos permitiu transformar.
Acesse aqui a revista comemorativa dos 35 anos do IT Forum.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!
Fonte: https://itforum.com.br/noticias/it-forum-35-anos-infraestrutura-alberto-griseli/

