SAP aposta em governança de dados para guiar clientes pela reforma tributária

A Reforma Tributária deixou de ser pauta exclusiva da área fiscal e passou a exigir uma revisão completa da tecnologia e gestão empresarial nas companhias brasileiras. Segundo Franklin Bruno, solution advisor Manager da SAP Brasil, o impacto vai muito além do cálculo e da apuração de impostos, atinge diretamente processos de compras, vendas, tesouraria, estrutura de custos e até a malha logística das empresas.

“A reforma tributária não é simplesmente uma pauta fiscal, da parte de finanças, é uma parte do negócio. O ERP, que é o Enterprise Resource Planning, está intimamente ligado com isso, uma vez que a reforma é uma agenda de prioridade de toda a corporação e não apenas de um setor específico”, afirma Bruno, durante entrevista no SAP Now AI Tour Brazil 2026.

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De acordo com o executivo, o primeiro movimento das empresas precisa ser uma avaliação ampla dos próprios processos internos. “É preciso avaliar  processos de compras e vendas, além dos processos de tesouraria, cálculo e apuração do imposto”, explica.

Bruno também indica que esse movimento tende a provocar efeitos em cascata em todas as áreas. A revisão da estrutura de custos, por exemplo, reflete diretamente na folha de pagamento, enquanto a reorganização da malha logística surge como uma das principais frentes de inovação abertas pela reforma, mesmo sem envolver, necessariamente, novas tecnologias.

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Para o representante da SAP, nesse momento, trabalhar com parceiros que já estão seguindo corretamente a legislação passa a ser estratégico, sobretudo para garantir a recuperação de crédito. Nesse contexto, a inteligência artificial (IA) ganha um papel facilitador, colaborando na apuração de impostos e o cruzamento entre entradas e saídas fiscais.

“Hoje, uma empresa acaba operando seu negócio com uma visão de fluxo de caixa. Essas empresas vão ter que passar a operar muito mais uma visão contábil, esse fluxo precisa e pode ser agilizado e impulsionado por IA”, afirma Bruno.

Automação exige mais governança de dados

Como todo avanço de IA, o aumento da automação fiscal também traz um alerta. O executivo explica que quanto mais processos são automatizados, maior o risco embutido caso a base de informações não esteja correta. “A base para qualquer processo de automação são os dados. É preciso garantir sua qualidade e organização antes de automatizar, pois dados incorretos podem comprometer todo o processo e fazer com que um erro inicial se propague ao longo da operação”, pontua.

É nesse ponto que a governança de dados se torna central. Segundo o executivo, a vantagem de um ERP, como o da SAP, está justamente na confiabilidade às informações financeiras, contábeis e de estoque, o que ele chama de base de “contextualização” dos dados. “Essa é a base para as empresas terem êxito numa execução fiscal”, afirma.

Ele destaca ainda o aumento da base de clientes a partir do novo processo. Segundo o executivo, a chegada da reforma tributária provocou um movimento diferente do inicialmente esperado: em vez de gerar conflitos contratuais, impulsionou a migração de empresas que utilizavam outros sistemas de gestão.

“O que aconteceu foi um movimento de empresas que não rodavam nossas soluções e passaram a adotá-las para se adequar à nova regulamentação, porque precisavam de velocidade para atender aos requisitos da reforma”, relata.

Diante dessa demanda, a SAP recorreu a programas já desenvolvidos em outros países e os adaptou às particularidades do mercado brasileiro, ampliando os investimentos para reduzir o impacto das mudanças sobre os usuários finais. Empresas com contratos de manutenção ativos e que utilizavam versões mais recentes das soluções passaram a receber essas atualizações automaticamente.

Nesse processo de adaptação à reforma tributária, uma das vantagens apontadas pelo executivo está na capacidade de processar as operações em tempo real. Na prática, cada transação é contabilizada no momento em que ocorre, o que permite acompanhar de forma contínua as informações necessárias para atender às novas exigências fiscais.

“Todas as operações, sejam de compra, venda, emissão ou recebimento de notas fiscais, são contabilizadas em tempo real no SAP, sem depender de processamento posterior ou offline”, explica. De acordo com ele, essa arquitetura também facilita a integração com os portais governamentais e a apuração de débitos e créditos, um ponto que ganha relevância diante das mudanças trazidas pela reforma tributária.

Volkswagen e Ademicon aceleram modernização fiscal

Bruno aponta que a reforma tributária também acelerou a busca das empresas por sistemas capazes de dar maior confiabilidade aos dados e suportar as novas exigências fiscais. Entre os projetos citados pela SAP estão os de Volkswagen do Brasil e Ademicon, que partiram de desafios distintos de modernização de seus ambientes tecnológicos.

A Volkswagen do Brasil substituiu sistemas legados pelo SAP Document and Reporting Compliance (DRC) para modernizar seus processos fiscais. A solução passou a suportar operações de entrada e saída que sustentam o fluxo de faturamento da montadora, envolvendo cenários como veículos, peças, acessórios, serviços, sucata e comércio exterior. O projeto também levou a companhia a revisar e sanear sua base de dados, especialmente os cadastros de clientes. Como próximos passos, a Volkswagen avalia a migração para o SAP S/4HANA e a incorporação de recursos de inteligência artificial ao ambiente.

Na Ademicon, o desafio estava na fragmentação dos sistemas e na dependência de integrações manuais. A companhia adotou o SAP Business Suite, com apoio de agentes de inteligência artificial, para consolidar processos em um ambiente com informações atualizadas em tempo real. A mudança busca aumentar a confiabilidade dos dados utilizados em demonstrações financeiras, auditorias e reportes a órgãos reguladores. A empresa também adotou o SAP HCM para unificar processos de recursos humanos.

Cautela como estratégia diante de uma legislação ainda em movimento

Apesar do aumento da demanda, a SAP adotou uma postura mais cautelosa diante de um ambiente regulatório que ainda passa por definições e ajustes. Bruno afirma que a estratégia reflete aprendizados de ciclos anteriores, quando a companhia antecipou o desenvolvimento de soluções para atender a regras que acabaram sendo modificadas ao longo do processo.

“No passado, havia uma preocupação maior em antecipar as entregas e sermos pioneiros. Aprendemos, porém, que a legislação pode mudar ao longo do processo. Uma das lições que incorporamos foi aguardar a aprovação e a promulgação das regras para, então, disponibilizar a solução definitiva”, indica.

Desde janeiro de 2026, a Reforma Tributária entrou na fase de transição, ao longo do ano, a regulamentação avançou com a publicação de novas normas complementares pela Receita Federal, consolidando as regras do novo sistema. Contudo, a transição segue um cronograma gradual até 2033, que já exige atenção das empresas, inclusive, nas mudanças de tecnologia de gestão, para garantir conformidade e segurança na apuração fiscal.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/sap-aposta-em-governanca-reforma-tributaria/