O retorno financeiro gerado pela inteligência artificial (IA) nas empresas brasileiras deve mais que quadruplicar nos próximos dois anos, segundo projeção apresentada pela SAP nesta quarta-feira (9), durante a 31ª edição do SAP Now AI Tour Brazil, em São Paulo. A expectativa acompanha o avanço da IA agêntica e a busca das companhias por transformar investimentos na tecnologia em resultados concretos para os negócios.
O dado faz parte do estudo The Value of AI: Brazil 2026, produzido pela SAP em parceria com a Oxford Economics e apresentado durante o evento. Segundo o levantamento, as empresas brasileiras projetam alcançar, até 2028, um ROI de 15% com agentes de IA, equivalente a US$ 24,8 milhões. No estudo realizado em 2025, a expectativa era de US$ 3,8 milhões.
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Para Rui Botelho, presidente da SAP Brasil, os resultados reforçam a tese de que o mercado brasileiro começa a deixar para trás a etapa de experimentação para avançar na aplicação da inteligência artificial integrada aos processos de negócios. “As empresas brasileiras avançaram da fase de testes e estão começando a escalar aplicações de IA com sucesso, de forma conectada ao contexto do negócio”, indica.
A visão foi reforçada por Jan Gilg, presidente global de Customer Success da SAP, que defendeu uma abordagem orientada primeiro aos resultados de negócio, e não à adoção da tecnologia por si só. “Não comece pela IA, comece pelo valor”, resumiu.
ROI deve saltar de US$ 5,5 milhões para US$ 13,6 milhões até 2028
A pesquisa ouviu 2,6 mil líderes de negócios em 13 países, sendo 200 deles no Brasil, e mostra que o avanço da IA deve continuar acompanhado por um aumento dos investimentos. As empresas brasileiras preveem destinar, em média, US$ 20,8 milhões à tecnologia neste ano, ante US$ 14,2 milhões apontados no levantamento anterior. Para os próximos dois anos, a expectativa é de crescimento de 46% nos aportes, acima dos 36% projetados na edição passada.
A adoção também avança sobre as operações. Atualmente, 26% das tarefas realizadas nas empresas brasileiras já contam com algum tipo de suporte de IA. Em dois anos, a expectativa é que essa participação chegue a 44%.
O aumento dos investimentos e do uso da tecnologia, no entanto, contrasta com a capacidade das empresas de levá-la à escala. Apenas 3% das organizações brasileiras se consideram totalmente preparadas para escalar agentes de IA, enquanto 65% dos executivos afirmam não estar convencidos de que suas iniciativas atuais estejam capturando todo o potencial da tecnologia.
Questionado sobre o que impede a maioria das empresas de avançar para a escala, Botelho recorreu a um exemplo operacional. Em uma indústria que perde um fornecedor de matéria-prima, por exemplo, áreas como recursos humanos, vendas e finanças podem ser acionadas de forma isolada e em momentos distintos, sem que a informação circule de maneira integrada entre elas. “Isso acontece de forma segregada e em tempos muito diferentes”, afirmou. Para o executivo, é justamente essa fragmentação que o conceito de Autonomous Enterprise busca enfrentar, ao conectar processos, dados e áreas de negócio, em vez de simplesmente automatizar tarefas isoladas.
Os resultados da pesquisa reforçam esse diagnóstico. Para 75% das empresas brasileiras, a qualidade ou a disponibilidade dos dados é o principal fator que limita o retorno dos investimentos em IA. Outros 65% apontam a falta de profissionais com habilidades especializadas como uma barreira, percentual que recuou em relação aos 70% registrados na edição anterior.
Ao mesmo tempo, caiu a percepção das empresas sobre a própria prontidão de dados. Neste ano, 56% das organizações brasileiras se consideram preparadas nesse aspecto, ante 68% no levantamento anterior. Botelho interpreta o recuo não como uma deterioração das condições, mas como resultado de uma avaliação mais realista sobre a qualidade e a maturidade das bases disponíveis para sustentar projetos de IA.
A governança sobre o uso da tecnologia acrescenta outra camada ao desafio. Segundo o estudo, 82% das empresas brasileiras afirmam que seus colaboradores utilizam, ao menos ocasionalmente, ferramentas de IA de terceiros sem aprovação formal, prática conhecida como Shadow AI e que pode ampliar riscos relacionados a vazamento de dados e vulnerabilidades de segurança.
IA vai substituir o software?
É diante desses desafios de escala, dados e governança que a SAP posiciona sua estratégia para a próxima fase da inteligência artificial corporativa. Em seu discurso de abertura do evento, Botelho resumiu a mudança de posicionamento da companhia em uma frase: “A SAP não é mais uma empresa de software.”
Segundo o executivo, isso não significa que a IA substituirá as aplicações tradicionais, mas que passará a operar de forma integrada a elas e aos processos de negócio. “A inteligência artificial não vai simplesmente substituir o software. Ela vai viver dentro dele, integrada aos processos que fazem as empresas funcionar. É por isso que a SAP está evoluindo de uma empresa de software para uma business AI company”, afirmou.
A estratégia foi detalhada por Adriana Aroulho, presidente da SAP América Latina e Caribe, que lembrou que a inteligência artificial capaz de compreender, de fato, o negócio de cada cliente e a resposta da companhia para esse novo cenário está nas três camadas que estruturam sua Business AI Platform: contexto, construção e governança.
“Informação não é contexto”, afirmou Aroulho ao explicar a primeira delas. A proposta é que os agentes de IA da SAP não operem apenas sobre dados isolados, mas tenham acesso ao histórico de processos e às informações corporativas organizadas por meio do Knowledge Graph e do Business Data Cloud, incorporando o contexto em que as decisões de negócio são tomadas.
Na camada de construção, a SAP apresentou o Joule Studio 2.0, ferramenta que permite aos clientes desenvolver seus próprios agentes de IA por meio de instruções em linguagem natural, sem necessidade de conhecimento técnico em programação. Segundo a companhia, um agente direcionado a uma tarefa específica de negócio pode ser configurado em cerca de 15 minutos.
A terceira camada é a de governança. Nesse ponto, a SAP sustenta que o ERP permanece como o núcleo da operação, funcionando como base para controlar como agentes, dados e processos interagem dentro do ambiente corporativo.
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A possibilidade de ampliar o uso de agentes para diferentes áreas do negócio está apoiada em uma visão que Botelho descreve como uma nova divisão de trabalho entre pessoas e tecnologia. “A IA vai se apoiar nos processos operacionais e executar aquilo que é repetitivo, enquanto as pessoas poderão se dedicar ao que o ser humano faz melhor: tomar decisões, criar e cuidar das pessoas”, assinala.
Para Gilg, essa transformação também muda o papel da tecnologia nas empresas. O avanço da IA, segundo o executivo, não depende de acumular novos modelos, mas de reduzir a complexidade operacional, melhorar a qualidade dos dados e acelerar a capacidade de transformar inovação em resultado.
“Clientes não querem mais modelos. Eles querem que os modelos evoluam. As empresas buscam remover o atrito da operação, ter acesso mais rápido à inovação, contar com uma base de dados limpa para modernizar o ambiente e capturar valor real ao longo do caminho”, afirma.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/sap-now-ai-tour-roi-ia-agentica/

