Por Luiz Fernando Leone Vianna
A expansão da inteligência artificial tem provocado debates sobre produtividade, inovação e novos modelos de negócio pelos impactos que tendem a provocar em diferentes segmentos da sociedade. O setor elétrico brasileiro, inevitavelmente, entra nessa engrenagem sob a ótica de que a infraestrutura deve estar conectada ao movimento digital. Nenhum algoritmo, data center ou aplicação opera sem disponibilidade de energia em escala, com qualidade, segurança e previsibilidade.
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A Agência Internacional de Energia projeta que o consumo global de eletricidade dos data centers deve mais que dobrar até 2030 e chegar a cerca de 945 terawatts-hora. No Brasil, os pedidos de conexão desses empreendimentos à rede elétrica cresceram 330% em um ano, passando de 12 para 52 projetos entre maio de 2024 e o mesmo período de 2025, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).
Os números mostram que a agenda de IA vai muito além da tecnologia. Para avançarmos de forma holística, o processo deve vir amparado por uma base de infraestrutura robusta, bem planejada e com diretrizes regulatórias claras e assertivas, em que o setor elétrico é a chave central deste “mundo moderno”. Estamos falando de um reposicionamento do setor, em que a energia passa a ser gerida de maneira mais inteligente, personalizada e eficiente.
Esse cenário desafiador não é exclusivo do Brasil. Em países como Irlanda e Singapura, a expansão dos data centers já levou governos e órgãos reguladores a tratarem a infraestrutura necessária para este novo momento como parte estratégica do planejamento energético. Na pauta foram consideradas questões de capacidade da rede, eficiência e sustentabilidade.
Portanto, a infraestrutura digital não depende apenas da energia disponível – o que o Brasil tem de sobra, já que nossa matriz energética é extremamente rica. Somada à oferta, o país deve ter uma rede preparada e um marco regulatório moderno, objetivo e claro. O tratamento adequado contribuirá para atrair novos investimentos, com projetos de longo prazo, e dar fluidez à coordenação de iniciativas em geração, transmissão, distribuição e consumo, envolvendo diferentes esferas públicas e privadas.
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Se pensarmos que estamos às portas de ampliar o acesso ao mercado livre de energia, estamos, hoje, desconectados com a infraestrutura digital que o processo demandará. O setor, historicamente voltado a grandes consumidores, passa a se preparar para atender, a partir de 2027 e 2028, uma base mais pulverizada, proveniente da baixa tensão. À medida que o mercado avança para um público com tickets médios menores e novas expectativas digitais, a tecnologia torna-se indispensável para reduzir custo de aquisição, automatizar processos, escalar faturamento e oferecer uma jornada simples ao usuário.
A competição no setor elétrico não será sustentada simplesmente por preço. A tecnologia se manifesta como o fator de permanência, com plataformas digitais, sistemas robustos de faturamento, medição em tempo real, canais eficientes e ferramentas de gestão de consumo. Em um mercado aberto e amplo, a IA é ferramenta crucial para traduzir a complexidade do mercado e auxiliar decisões práticas do consumidor, com informação útil e acionável.
Conceitos como Open Energy ganham relevância neste cenário ao permitir que os dados de consumo sejam integrados e acessados de forma segura. Sua viabilidade permite desenvolver soluções mais aderentes ao perfil de cada cliente, desde ferramentas de gestão de consumo até equipamentos capazes de responder aos sinais de preço da energia. O operador do sistema de distribuição – no Brasil ainda incipiente – também tem o papel importante de integrar recursos e preservar a segurança local da rede. Quanto mais digital, descentralizado e flexível for o sistema, maior será a necessidade de coordenação operacional.
O Brasil tem condições de ocupar posição relevante nessa nova economia digital, com matriz elétrica de forte presença renovável, mercado consumidor expressivo e potencial para atrair investimentos, mas essa oportunidade depende de planejamento integrado e segurança regulatória. A lentidão na modernização tecnológica e a instabilidade regulatória reduzem a disposição de investimento justamente quando o país precisa atrair capital para redes, armazenamento, digitalização e infraestrutura de dados.
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Fonte: https://itforum.com.br/artigos/setor-eletrico-mais-robusto/

