Uso de IA no varejo cresce, mas dados de clientes geram riscos

O varejo brasileiro registrou crescimento expressivo no uso ativo de inteligência artificial (IA) entre os funcionários do setor: a proporção saltou de 39% para 65% em um ano, segundo pesquisa do Netskope Threat Labs divulgada em setembro de 2026. O levantamento aponta que a expansão vem acompanhada de riscos crescentes para dados sensíveis de clientes e empresas.

A pesquisa mostra que 97% dos trabalhadores do varejo já utilizam aplicações com funcionalidades baseadas em IA e 90% interagem com sistemas que usam dados de clientes ou usuários para treinar modelos. O avanço recoloca o setor diante de um dilema central: como adotar a tecnologia sem perder o controle sobre informações regulamentadas.

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Dados pessoais lideram violações

Dados regulamentados, como informações pessoais e de pagamento, respondem por 56% das violações de políticas de dados relacionadas à IA no varejo, conforme o Netskope Threat Labs. O código-fonte corresponde a outros 20% dessas violações, enquanto senhas e chaves de interface de programação de aplicações (API) representam 16%.

Do total de violações, 85% ocorrem no fluxo de envio de dados às ferramentas de IA, o chamado upstream. Outros 9,5% se referem às saídas da IA, o downstream, e 2,5% estão relacionados à filtragem de conteúdo.

Adoção corporativa cresce, mas uso pessoal persiste

Os varejistas responderam ao crescimento do uso de IA tentando ampliar o controle corporativo sobre a atividade. A adoção de IA gerenciada pelas empresas subiu de 40% para 73%, segundo o levantamento. Em contrapartida, o uso de ferramentas pessoais recuou dos 70% registrados no ano anterior para 44%, mas ainda se mantém relevante.

A fronteira entre o uso pessoal e o corporativo segue porosa: a proporção de funcionários que alternam entre contas pessoais e corporativas cresceu de 11% para 18%.

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Agentes de IA e ameaças em expansão

A complexidade das interações entre IA e sistemas de negócios também avançou. O número de agentes de IA que se conectam a servidores remotos do Protocolo de Contexto de Modelo (MCP) cresceu cerca de 400%, enquanto a atividade relacionada ao MCP subiu aproximadamente 300%, de acordo com o Netskope Threat Labs. Essas conexões permitem que sistemas de IA acessem ferramentas externas e fontes de dados.

No mesmo período, as iscas maliciosas com tema de IA registraram alta de 400% entre dezembro de 2025 e março de 2026. Aplicações de IA também apresentaram links maliciosos a usuários do varejo, com frequência variando de cerca de 40 a mais de 160 casos por 100 mil usuários por semana.

Entre as aplicações mais bloqueadas, a plataforma de varejo Particular Audience lidera, com restrições em 46% das empresas do setor. O ZeroGPT aparece em seguida, com 37%, e Landbot e DeepSeek empatam com 34% cada. No lado das ferramentas mais adotadas, a plataforma Claude da Anthropic está presente em 96% das empresas de varejo, à frente do ChatGPT, com 84%, e do Claude Code, com 83%.

“Os varejistas estão avançando além da simples experimentação com IA e começando a incorporá-la às operações diárias, às experiências dos clientes e aos fluxos de trabalho dos negócios”, diz Gianpietro Cutolo, pesquisador de ameaças em nuvem da Netskope. “O desafio não é mais decidir se a IA deve ser utilizada, mas garantir que ela possa ser usada na velocidade que o negócio exige sem perder o controle dos dados sensíveis dos clientes e da empresa”.

Para Claudio Bannwart, country manager da Netskope no Brasil, o foco das empresas do setor é usar a tecnologia sem abrir mão do controle sobre dados pessoais, de pagamento e identidades. “O desafio é ter visibilidade sobre quais informações esses sistemas acessam, o que fazem com elas e a quem entregam suas respostas”, afirma.

Os dados fazem parte do Relatório Varejo 2026 do Netskope Threat Labs, que abrange adoção de IA, segurança de dados e ameaças em nuvem no setor.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/uso-ia-varejo-cresce-riscos/