PP tem “data limite” para sair do governo e quer levar o União junto

Os caciques do PP afirmam nos bastidores que o partido entregará o Ministério do Esporte até o dia 19/8, consolidando o processo de afastamento entre a sigla e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O partido estabeleceu essa data como “limite” porque será quando oficializará a federação com o União Brasil. Agora, o PP trabalha para que a legenda aliada também entregue suas pastas na gestão federal.

A ideia, porém, é fazer um desembarque “para inglês ver”, contendo a debandada ao primeiro escalão do governo Lula. Alguns cargos devem ser mantidos, como a indicação do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) na Caixa Econômica, em troca de apoios pontuais de deputados em votações econômicas de interesse do Planalto.

O PP é um dos principais partidos do chamado Centrão, mas a maioria da sua bancada ou tem relação com o eleitorado bolsonarista ou com outros setores da direita, como o agronegócio.

Para uma ala minoritária, principalmente de alguns estados do Nordeste, a associação com Lula tende a ser eleitoralmente positiva. É o caso do ministro do Esporte, André Fufuca, que é deputado federal pelo Maranhão e sonha com o Senado.

6 imagensPresidente do União Brasil, Antônio RuedaSenador Ciro Nogueira (PP-PI)Ministro dos Esportes André Fufuca (PP)Em entrevista ao Metrópoles, Celso Sabino destacou o crescimento do Turismo no Brasil, com destaque para a movimentação em 2024Lula e o presidente da Telebras, Frederico Siqueiro FilhoFechar modal.1 de 6

União Brasil de Antônio de Rueda e PP de Ciro Nogueira devem formar federação para 2026

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Presidente do União Brasil, Antônio Rueda

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Senador Ciro Nogueira (PP-PI)

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Ministro dos Esportes André Fufuca (PP)

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Em entrevista ao Metrópoles, Celso Sabino destacou o crescimento do Turismo no Brasil, com destaque para a movimentação em 2024

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Lula e o presidente da Telebras, Frederico Siqueiro Filho

Ricardo Stuckert / PR

No União, a situação é parecida, mas há mais atores envolvidos. O partido tem três ministérios, sendo dois associados à bancada da legenda na Câmara: o das Comunicações e o do Turismo. O terceiro, da Integração Nacional, é de indicação direta do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Nesse contexto, o ministro da integração, Waldez Góes, deve permanecer no cargo com duplo argumento: primeiro, de que é uma indicação da cota pessoal de Alcolumbre; segundo, de que ele sequer é filiado ao União, mas sim ao PDT, apesar de na prática sua pasta ser citada como parte do quinhão do partido do presidente do Senado.

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Outras indicações do União Brasil no segundo escalão do governo devem permanecer, como a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). O órgão, uma das joias da máquina pública para o Centrão, é presidido por Lucas Felipe de Oliveira, indicado por Alcolumbre.

Início do desembarque

PP e União flertam com a centro-direita para a eleição presidencial de 2026. O presidente do Partido Progressista, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), é próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro e entusiasta de uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao Planalto.

O União Brasil é presidido pelo advogado Antônio Rueda, que também tem demonstrado insatisfação com o governo. A tendência é que, se os desembarques não ocorrerem até o dia 19/8, os partidos devem dar um prazo de 10 dias para que os ministros deixem os cargos. O argumento é que a convenção conjunta da federação não permitirá a adesão ao governo.

O desembarque das siglas foi dado como certo, e até confirmado nos bastidores, desde junho. Foi quando ambos os partidos se posicionaram contra a Medida Provisória (MP) da arrecadação enviada pelo governo Lula, que corria atrás de verba diante do impasse acerca do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Fonte: https://www.metropoles.com/brasil/pp-tem-data-limite-para-sair-do-governo-e-quer-levar-o-uniao-junto