Em 1957, Nise da Silveira esteve em Florença, na Itália. Há uma foto em que podemos vê-la sentada à mesa no terraço de um restaurante. À direita, ela avista o Palazzo Vecchio e pode observar o relógio de sua grande torre. Ao recordar esse período, disse não saber definir o estado do ser vivido naquele momento e do qual não conseguia sair. Nesse embevecimento emocional, percebeu, com espanto, que os ponteiros desandaram. Imaginou que o relógio lembraria diversos acontecimentos da história da cidade: as aventuras de Lorenzo de Médici, a batalha de Montaperti ou o cerco de Siena, quem sabe as pregações de Girolamo Savonarola. Com certeza, se ela tivesse escrito contos sobre Florença, teríamos a conjunção de conhecimento histórico e fantasia, pois o estado emocional sempre faria os ponteiros desandarem.
As cidades em que Nise da Silveira esteve marcam momentos importantes. Nasceu em Maceió, onde viveu a infância e a adolescência. Para ela, a cidade se tornou mítica, pois habitava os seus sonhos. Cursou medicina em Salvador, onde aprendeu a perceber o mal faiscando em olhos humanos. No Rio de Janeiro, envolveu-se com política, foi presa e desenvolveu o seu trabalho no campo da saúde mental, observando de maneira acurada as séries de imagens do inconsciente. O retorno ao Nordeste e a ida ao Norte do país – Maceió, Salvador, Recife, Aracaju, Manaus – se deram após a saída da prisão. Em seu período de clandestinidade, aprofundou-se em Spinoza e, em meio ao sofrimento, vislumbrou a unidade do mundo.
Podemos destacar ainda as pass
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Fonte: https://revistacult.uol.com.br/home/as-cidades-invisiveis/

