Belém e Pará – Nesta sexta-feira (20) foi realizado o evento “Manas em Combate: Contra Todas as Formas de Violência Invisível”, às 9h, no Hotel Amazônico, localizado na avenida Bernardo Sayão. A iniciativa foi dedicada ao empoderamento feminino e ao enfrentamento das múltiplas formas de violência não física em alusão ao Dia Internacional das Mulheres. O intuito era construir um debate amplo sobre as diversas formas de agressão invisíveis, maneiras de identificação e soluções.
O evento foi organizado em formato de “Talk Show”, com proposta de diálogo aberto, troca de experiências e fortalecimento das participantes. Idealizado pela advogada Jannice Amoras, titular do Cartório do Terceiro Registro, o encontro reuniu profissionais da saúde e do direito e mulheres com vivências diversas, em debate com foco na conscientização sobre diferentes formas de violência psicológica, patrimonial e demais situações que afetam o cotidiano da mulher brasileira. O encontro ainda lançou um informativo sobre formas de agir em casos de violência doméstica.
“O evento surgiu com o objetivo de tomar medidas práticas para combater a violência contra a mulher, sair da zona de conforto e ir à prática a partir de experiências reais. Mulheres que tiveram os filhos assassinados pelo ex-marido para puni-la, mulheres que são perseguidas e não encontram proteção no Estado. A ideia veio dessa inquietação pessoal, em que eu montei um site e também estou propondo ações práticas. E uma dessas ações é a realização desse evento, que é a primeira edição, mas que tem o intuito de chegar em todo o Brasil como uma forma de conscientizar as mulheres e, mais do que isso, da gente ter voz”, disse a idealizadora.
Em janeiro de 2026, o Judiciário brasileiro registrou 947 novos casos de feminicídio, uma porcentagem 3,49% superior em relação a janeiro do ano anterior, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Nesse sentido, o evento se propunha a discutir as formas de violências invisíveis contra a mulher, aquelas que antecedem as agressões físicas e, em casos mais graves, assassinatos.
“A violência invisível fica em segundo plano. Quando a gente trata de violência, damos muito enfoque ao feminicídio e à violência física, no geral, que são as mais aparentes. As violências invisíveis, na verdade, são a origem de tudo, que é aquela violência moral, psicológica, patrimonial. Queremos tratar de todas as violências, começando pelas invisíveis, para que não se chegue a um resultado terrível como um feminicídio e violência física”, afirmou Jannice Amoras.
PALESTRANTES
Com programação ampla, o evento contou com diversas palestrantes em áreas distintas com o intuito de elucidar as questões que perpassam o cenário de violência contra o público feminio. Uma delas foi a jornalista Adriana Vasconcelos, que visualizou informações necessárias sobre casos de feminicídio e a agressões às mulheres para estabelecer formas de reconhecimento e mudança de cenário.
“Mais de 1.500 feminicídios no ano passado, quatro mulheres mortas por dia, 83 mil casos de violência, um a cada seis minutos. Por mais que sejam dados horrorosos, vemos que quando eles têm visibilidade, a sociedade reage, as mulheres se mobilizam para que outras saiam dessa situação de aprisionamento, dentro da situação de violência. A gente assiste, por exemplo, às mudanças na legislação. Ao longo dos últimos anos, tivemos várias leis para garantir o combate à violência, a começar pela Lei Maria da Penha, que recentemente foi alterada para incluir a violência vicária, que é a violência contra pessoas próximas das mulheres, como filhos, parentes e amigos”, revelou a jornalista.
A psicóloga e mentora de mulheres, Shirlane Almeida, também foi uma das expositoras do evento. Na ocasião, ela abordou o fortalecimento da área emocional para que as mulheres sejam capazes de se desvencilhar de situações de violência doméstica. “Meu maior intuito é trazer soluções. Como essa mulher pode sair desse ciclo de violência, através de oportunidades de ofertas de trabalho e emprego, empreendedorismo, elevando sua autoestima. Eu, como psicóloga, enfatizo muito a importância da autoestima”, pontua.
“Estamos falando de violências invisíveis. A gente sabe que violência não começa com tapa, vem de muito antes. Tem um termo chamado gaslight, que nada mais é quando a pessoa te tira daquilo que você é, fala que você é o louco da história, que você viu errado e aquela realidade começa a ser distorcida. É quando a mulher perde a identidade, não tem mais autonomia, não sabe mais no que acredita e começa a ser dominada. Não vou só informar, mas trazer soluções para que elas saiam desse cenário de violência”, concluiu a psicóloga.
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/evento-em-belem-debate-violencia-invisivel-contra-mulheres-e-propoe-acoes-praticas/

