Um dos mais importantes patrimônios documentais da Amazônia está sob a guarda do Museu Paraense Emílio Goeldi. Com um acervo de mais de 20 mil itens, o Arquivo Guilherme de La Penha preserva documentos, cartas, fotografias, negativos em vidro e registros históricos que ajudam a reconstruir a trajetória da ciência na região ao longo de quase 160 anos.
Semana Nacional de Arquivos destaca acervo
A riqueza desse material ganha destaque durante a 10ª Semana Nacional de Arquivos, que este ano ocorre entre 8 e 12 de junho. Como parte da programação, o Museu Goeldi promove a mesa-redonda “Novos olhares sobre os arquivos: gênero, raça e etnia”, que ocorrerá no Campus de Pesquisa da instituição, em Belém, no dia 9, o campus de Pesquisa do MPEG. O evento acompanha o tema nacional “Arquivos, democracia e justiça social” e reforça o papel do arquivo como espaço de produção de conhecimento, preservação da memória e ampliação do acesso à informação.
Além disso, a programação destaca pesquisas relacionadas a gênero, raça e etnia desenvolvidas a partir das coleções documentais mantidas pela instituição. Atualmente, o Arquivo Guilherme de La Penha integra o Serviço de Arquivo e Memória do Museu Goeldi e mantém uma política voltada à conservação, organização e democratização do acesso ao acervo. Por isso, estudantes, pesquisadores e interessados na história da Amazônia podem consultar os documentos mediante agendamento.

Coleções raras e acesso digital
Entre os destaques estão coleções relacionadas a povos indígenas, populações tradicionais, mulheres pioneiras da ciência amazônica e personagens que marcaram a história regional. O acervo também preserva documentos ligados à pesquisadora Emília Snethlage, uma das figuras mais importantes da ciência na Amazônia, além de registros associados ao indígena Sabino Munduruku, um dos raros representantes dos povos originários a deixar um arquivo pessoal.
Outro diferencial está na coleção fotográfica. O conjunto reúne 1.420 negativos em vidro, tecnologia utilizada entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX. As imagens registram diferentes momentos da história de Belém, atividades científicas, coleções do museu, paisagens amazônicas e cenas do cotidiano da região.
Além da consulta presencial, parte desse patrimônio histórico já está disponível na Brasiliana Fotográfica, ampliando o acesso ao conteúdo por meio da internet. O Museu Goeldi foi a primeira instituição da Amazônia a integrar a plataforma, permitindo que pesquisadores e o público em geral tenham contato com registros históricos sem sair de casa.


Criado em 1866, o Museu Goeldi acumulou ao longo das décadas uma documentação que ultrapassa os limites da própria instituição. O material preservado no arquivo ajuda a compreender a formação da ciência na Amazônia, a transformação das cidades, a relação com os povos da região e a construção de um dos mais importantes centros de pesquisa do país.
Como consultar o acervo
Quem deseja consultar o acervo pode solicitar atendimento diretamente ao Serviço de Arquivo e Memória. A equipe realiza uma busca prévia nos documentos e agenda a visita presencial. Em situações específicas, principalmente para pesquisadores que vivem fora do Brasil, parte do material pode ser digitalizada para consulta remota. E-mail para agendar consulta ao acervo: [email protected].
Dessa forma, o Arquivo Guilherme de La Penha amplia o acesso ao conhecimento e preserva documentos que ajudam a contar capítulos fundamentais da história da Amazônia, da ciência brasileira e da própria sociedade paraense.
SERVIÇO
Mesa-redonda: “Novos olhares sobre os arquivos: gênero, raça e etnia”
Data: 9 de junho
Horário: Das 9h às 12h
Local: Auditório Paulo Cavalcante, Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi
Endereço: Avenida Perimetral, bairro Terra Firme, em Belém
Entrada: Gratuita. Basta apresentar documento de identificação na portaria do campus.
Consulta ao acervo:
O acesso ao Arquivo Guilherme de La Penha deve ser agendado previamente.
E-mail para agendamento: [email protected]
Mais informações:
O acervo reúne mais de 20 mil documentos históricos, incluindo cartas, fotografias, negativos em vidro e registros que ajudam a contar a história da ciência e da Amazônia.


Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/mega-acervo-do-museu-goeldi-guarda-tesouros-da-amazonia-conheca/

