Flagrante de desrespeitos de Motociclistas nas ruas de Belém. VEJA FOTOS

A falta de fiscalização e de medidas punitivas direcionadas aos motociclistas tem agravado o cenário de desordem no trânsito de Belém, onde o crescimento acelerado da frota de motos passou a ditar o ritmo — e, muitas vezes, o descontrole — nas principais vias da capital.

Na tarde desta segunda, 6, fotógrafos do Diário registraram uma sequência de flagrantes que escancaram o problema. Nas avenidas do bairro do Marco, na Augusto Montenegro e na Arthur Bernardes, o que se viu foi um padrão repetido de infrações: motociclistas avançando sobre faixas de pedestres, ignorando a sinalização e circulando entre carros parados, ocupando espaços que deveriam ser respeitados como área de segurança.

Pela legislação de trânsito, motocicletas devem respeitar a mesma lógica dos demais veículos, posicionando-se atrás do carro à frente, especialmente em paradas de semáforo. Na prática, no entanto, o que se observa em Belém é a ocupação dos chamados “corredores informais”, prática que, além de irregular, aumenta o risco de acidentes e reduz a previsibilidade do fluxo viário.

A ausência de fiscalização efetiva contribui diretamente para esse comportamento. Embora órgãos como a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém, a Guarda Municipal de Belém e a Polícia Militar do Pará realizem operações pontuais, a percepção entre motoristas e pedestres é de que as infrações cometidas por motociclistas raramente resultam em punição.

Esse vácuo de controle cria um efeito em cadeia: quanto maior a sensação de impunidade, maior a reincidência das infrações. O resultado é um trânsito onde regras básicas — como parar na faixa de pedestres ou respeitar o espaço entre veículos — deixam de ser seguidas, transformando cruzamentos e semáforos em pontos críticos de risco.

Soluções e Medidas Adotadas

Em outras capitais, soluções simples têm ajudado a reorganizar esse comportamento. Em Brasília, por exemplo, a implantação de áreas exclusivas para motos nos semáforos — conhecidas como “faixa de retenção” — trouxe resultados positivos na organização do fluxo e na redução de conflitos entre veículos.

A medida consiste em uma faixa horizontal pintada no asfalto, posicionada à frente dos carros nos semáforos, delimitando um espaço exclusivo para motociclistas aguardarem a abertura do sinal. Com isso, evita-se a disputa desordenada entre veículos e se impõe um padrão mais previsível de circulação. Em outras cidades brasileiras a solução veio com a faixa vertical demarcada e exclusiva para motocicletas.

Especialistas em mobilidade urbana apontam que iniciativas como essa poderiam ser adaptadas à realidade de Belém, desde que acompanhadas de fiscalização constante e campanhas educativas. Sem esses dois pilares, qualquer intervenção tende a perder eficácia com o tempo.

O Caos e a Urgência por Soluções

Enquanto isso, a rotina nas ruas segue marcada pelo improviso e pelo risco. Para pedestres, atravessar uma avenida virou um exercício de atenção redobrada. Para motoristas, dirigir exige lidar com movimentos imprevisíveis a todo momento. E, no centro desse cenário, cresce a percepção de que o trânsito deixou de ser regulado por normas — e passou a ser conduzido pela ausência delas.

Mais do que uma questão de mobilidade, o problema expõe um desafio de autoridade e convivência urbana. Em Belém, a solução pode até passar por novas ideias, mas começa, inevitavelmente, pelo básico: fazer cumprir a lei que já existe.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/flagrante-de-desrespeitos-de-motociclistas-nas-ruas-de-belem-veja-fotos/