A tradicional novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, realizada no Santuário localizado na avenida Arthur Bernardes, em Belém, deve ganhar um novo status neta terça-feira, 5. A celebração religiosa, que reúne milhares de fiéis semanalmente, está prestes a ser reconhecida como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado, reforçando a importância da manifestação de fé para a comunidade local.
Frequentada por um público estimado entre 20 mil e 30 mil pessoas a cada terça-feira, a novena se consolidou ao longo das décadas como um dos principais movimentos religiosos da capital paraense. Para muitos devotos, o reconhecimento oficial representa não apenas uma valorização simbólica, mas o fortalecimento de uma tradição que atravessa gerações.
A aposentada Fátima Corrêa, 70, frequentadora assídua, celebra a conquista. Segundo ela, a novena é motivo de orgulho e emoção para os fiéis. “É uma felicidade imensa. Para nós, é uma dádiva divina, um presente muito especial”, afirma. Fátima também destaca o impacto da fé em sua vida pessoal. “A maior graça que alcancei foi a realização do sonho da minha casa. Hoje moro em frente à paróquia, o que torna tudo ainda mais significativo”, relata.
‘É a fé que nos move’
A devoção, segundo ela, é o principal fator que explica a popularidade das celebrações semanais. “A missa de terça-feira tem algo diferente. É a fé que nos move, que nos toca profundamente. É uma experiência muito forte”, diz. Mesmo com a rotina de trabalho, ela afirma que faz questão de participar. “Sempre arrumo um tempo. É tudo muito especial.”
Moradora da região desde a infância, a costureira Neri Lopes, 60, também vê o reconhecimento como uma conquista coletiva. “A comunidade já esperava por isso. A gente acredita que, pelos milagres e por tudo o que acontece aqui, esse reconhecimento é mais do que merecido”, afirma.
Neri conta que a relação com a novena acompanha sua trajetória de vida. Antes de se tornar costureira, trabalhava vendendo alimentos na rua e recorria à fé em busca de melhores condições. “Eu pedia por um trabalho melhor, porque enfrentava sol e chuva. Depois consegui um emprego em uma fábrica de costura. Sou muito grata por isso”, relembra.
Hoje, segundo ela, o sentimento predominante é de gratidão, embora a fé continue presente nos momentos difíceis. A recuperação da irmã, que sofreu um AVC recentemente, é apontada como mais uma graça em sua vida. “Ela já saiu do hospital e está se recuperando. A gente segue em oração, junto com os vizinhos”, conta. A novena de terça surgiu em 1947 com a criação da Paróquia de Perpétuo Socorro, no Telégrafo. Desde o ano passado, o ato já é um patrimônio cultural de natureza imaterial do município de Belém.
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/multidao-da-fe-novena-em-belem-pode-virar-patrimonio-do-para/

