Dezenas de pessoas participaram, no domingo, 7, de mais uma edição do Roteiro Geo-Turístico, programação que integrou o projeto Circular Campina Cidade Velha, em Belém. Com o tema “Belle Époque”, o percurso guiado levou os participantes a uma imersão pela história, arquitetura e cultura da capital paraense, destacando um dos períodos mais marcantes da formação urbana da cidade.
O passeio teve início em um dos símbolos desse período: o Cine Olympia. Inaugurado em 1912, durante o auge do Ciclo da Borracha, o espaço é um dos cinemas mais antigos em atividade no Brasil e representa a efervescência cultural vivida por Belém no início do século 20. Para o crítico de cinema Marco Antônio Moreira, o Olympia permanece vivo na memória afetiva da população e continua desempenhando um importante papel cultural. “Jamais será um prédio de memória. Mas é um espaço de afetividade”, destacou.
Ao longo do trajeto, os participantes visitaram diversos marcos históricos ligados à Belle Époque, entre eles a Praça das Sereias, o edifício Manoel Pinto, os palacetes Faciola e Bolonha, a Avenida José Malcher, a Praça da República, o Theatro da Paz, o Bar do Parque e o tradicional corredor de mangueiras, encerrando a programação no Instituto de Ciências da Arte (ICA), da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Segundo o geógrafo Jonathan Nunes, monitor do projeto, a proposta do roteiro é aproximar a população da história da cidade por meio da observação dos espaços urbanos e de seus significados. “O roteiro da Belle Époque veio para brindar toda essa área que faz alusão a esse período que Belém viveu e também enfatizar outros monumentos importantes que fazem parte da paisagem urbana, como o Theatro da Paz e o Cine Olympia”, explicou.
Além de apresentar construções históricas e fatos marcantes do período, o projeto busca estimular um olhar crítico sobre o patrimônio cultural e os processos de transformação urbana. Durante a Belle Époque, impulsionada pela riqueza gerada pelo Ciclo da Borracha, Belém passou por um intenso processo de modernização inspirado em modelos europeus, especialmente franceses, o que lhe rendeu o apelido de “Pequena Paris da Amazônia”.
“O passeio também provoca reflexões sobre as reformas urbanas e a preservação desses patrimônios. A cidade passou por um processo de embelezamento que resultou na construção de importantes equipamentos culturais e edifícios históricos que permanecem como referências até hoje”, ressaltou Jonathan Nunes.
A idealizadora do projeto, a professora Goretti Tavares, destacou que a iniciativa vai além da valorização dos monumentos históricos e busca ampliar o debate sobre as diferentes narrativas que compõem a história da cidade. “Nós falamos da Belém portuguesa, da Belém francesa e até da Belém americana, mas também mostramos que existe uma Belém indígena, que é onde está a nossa ancestralidade. É importante refletir sobre aquilo que não está visível nos espaços urbanos, mas que também faz parte da construção da nossa identidade”, afirmou.
Para a professora, compreender a cidade exige reconhecer não apenas os legados da colonização e da modernização, mas também as contribuições dos povos indígenas e africanos, frequentemente ausentes das representações presentes em monumentos, nomes de ruas e praças.
Jovens aprovam iniciativa
A experiência foi aprovada pelos participantes. A auxiliar administrativa Ana Beatriz, de 21 anos, participou pela primeira vez do roteiro e destacou a oportunidade de conhecer o Cine Olympia após o período de reformas. “Eu adorei saber a história do cinema, as curiosidades e os costumes da época. É uma programação que nos ajuda a conhecer melhor a nossa própria cidade. Com certeza vou participar de outras edições”, contou.
Entre os participantes também estava a família do professor Joy dos Anjos, acompanhado da esposa Samara e do filho, Pietro, de 10 anos. Frequentadores assíduos das atividades do Circular, eles veem na iniciativa uma forma de aproximar as novas gerações do patrimônio cultural de Belém. “É uma maneira de plantar uma semente. Muitas pessoas que vivem aqui não conhecem a história dos lugares da cidade. Trazer nosso filho para esses eventos é uma forma de apresentar a ele a cidade onde nasceu e vive. E nós mesmos continuamos aprendendo sobre Belém”, afirmou.
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/roteiro-pela-belle-epoque-leva-publico-a-uma-viagem-pela-historia-de-belem/

