Efeito Tarcísio: 97% dos professores do estado ligam adoecimento mental ao trabalho

Uma pesquisa inédita sobre as condições de trabalho no serviço público estadual revela um cenário alarmante de adoecimento entre profissionais da Educação e da Saúde. O levantamento mostra que 97,6% dos trabalhadores da Educação associam problemas de saúde mental ao trabalho, evidenciando um quadro estrutural de desgaste físico e psíquico nessas categorias.

Os dados foram apresentados nesta terça-feira (5), na sede do Dieese, em São Paulo, e reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à proteção da saúde dos servidores. A pesquisa foi realizada entre dezembro de 2025 e março de 2026, com base em respostas de trabalhadores das redes públicas estaduais.

Além do impacto na saúde mental, o estudo aponta que 80,2% dos profissionais da Educação relacionam problemas físicos ao trabalho, como dores musculares, problemas de coluna e exaustão. O reflexo direto dessa sobrecarga aparece nos afastamentos: 60,3% já precisaram se afastar das atividades por adoecimento físico.

No campo psíquico, a situação é ainda mais crítica. Ansiedade, insônia, depressão e síndrome de burnout estão entre os principais problemas relatados. Mesmo assim, apenas 24,8% dos profissionais se afastaram por questões de saúde mental, o que indica possíveis barreiras institucionais ou subnotificação desses casos.

Digitalização intensifica controle e sobrecarga

O estudo também identifica um fator central para o agravamento desse cenário: o avanço da digitalização e da chamada gestão algorítmica. Segundo a pesquisa, 86,3% dos trabalhadores afirmam que ferramentas digitais aumentaram a vigilância e o controle sobre suas atividades, enquanto 78,3% associam essas tecnologias à intensificação de metas e cobranças individuais.

Esse modelo de gestão tem ampliado o volume de tarefas, acelerado o ritmo de trabalho e estendido a jornada para além do expediente formal, contribuindo diretamente para a sensação de esgotamento.

A deputada estadual Professora Bebel (PT), coordenadora da Frente Parlamentar pela Saúde e Direitos do Funcionalismo Público Estadual, afirma que os dados revelam uma transformação profunda nas relações de trabalho. “Estamos diante de um modelo que intensifica o controle, amplia a pressão por metas e impacta diretamente a saúde dos trabalhadores. Quando quase a totalidade dos profissionais da Educação associa o adoecimento mental ao trabalho, isso não pode ser tratado como algo pontual — é um problema estrutural”, destacou.

Segundo a parlamentar, a digitalização sem regulação adequada tem produzido o efeito contrário ao esperado: em vez de melhorar as condições de trabalho, aumenta a sobrecarga e o nível de cobrança sobre os servidores.

Cenário também preocupa na Saúde

Entre os trabalhadores da Saúde, os números também são elevados. A pesquisa aponta que 72,3% associam adoecimento físico ao trabalho, e 81,1% relacionam problemas de saúde mental às condições laborais. Já os afastamentos atingem 54,5% por motivos físicos e 16% por questões mentais.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/saude-mental-professores-sp/