O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (22) que o banqueiro Daniel Vorcaro retorne para a “sala de Estado-Maior” na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília. Vorcaro vai ficar no mesmo espaço em que ficou o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para embasar sua decisão, André Mendonça utilizou a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou riscos para Vorcaro na cela comum, por conta da exposição de seu caso na mídia. Também foi apontada a possibilidade de contato com outros integrantes de sua organização.
A decisão de Mendonça ocorre logo após a PF rejeitar a proposta de Daniel Vorcaro. O motivo central para o fracasso das negociações foi a tentativa de Vorcaro de manipular o acordo. Segundo os investigadores, o banqueiro apresentou um material considerado inútil, omitindo provas cruciais com o objetivo de blindar aliados políticos e “figurões da República”.
Banco Master: proposta de R$ 60 bilhões de Vorcaro é até 15 vezes maior que a da Lava Jato
Diante da resistência da Polícia Federal, Daniel Vorcaro aceitou elevar de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor a ser devolvido caso feche delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A informação foi confirmada por interlocutores próximos ao caso e mostra a tentativa do banqueiro do Banco Master de tornar sua colaboração mais atraente para a investigação.
No início desta tarde (14), o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a volta do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A decisão de Mendonça tem sido vista como uma última oportunidade para Vorcaro entregar fatos relevantes sobre a investigação do Banco Master.
A PGR, no entanto, deixou claro que o roteiro de delação precisará ser refeito, e que a primeira proposta de Vorcaro foi considerada insuficiente, omitindo informações relevantes. A Polícia Federal manteve a rejeição inicial, mas o Ministério Público continua aberto a negociações, enxergando uma possibilidade de acordo.
Caso a delação seja homologada, o Supremo Tribunal Federal (STF) terá a palavra final, hoje sob a relatoria do ministro André Mendonça. A destinação dos recursos deverá priorizar reparação de prejuízos a investidores e instituições afetadas, como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e o Banco de Brasília, que sofreram perdas com o colapso do Banco Master.
Comparação com a Lava Jato
Caso venha ser restituído, o valor devolvido pelo banqueiro poderá ser até 15x maior do que os da Lava Jato que somaram R$ 3,9 bilhões em multas e ressarcimentos, até setembro de 2025. Segundo dados públicos, mais de R$ 2,9 bilhões já foram efetivamente recolhidos e distribuídos a 59 entidades públicas, incluindo órgãos de reparação de prejuízos à Petrobras, alvo central da operação.
A Lava Jato envolveu 172 colaboradores, dos quais 152 aceitaram devolver valores ou pagar multas. Estima-se que o esquema causou prejuízos de R$ 6,2 bilhões à Petrobras, e até R$ 29 bilhões contabilizados pelo Tribunal de Contas da União desde 2002.
O contraste entre os valores apresentados por Vorcaro e os recursos efetivamente recuperados pela Lava Jato evidencia a magnitude da oferta do banqueiro, que supera em dezenas de bilhões o que a maior operação anticorrupção do país conseguiu arrecadar.
Analistas destacam, no entanto, que a efetividade da delação dependerá da validação da PGR, da homologação do STF e da definição de critérios de distribuição aos lesados.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/mendonca-vorcaro-cela-especial/

