Na noite de terça-feira (26), o Partido Liberal (PL) anunciou que não apenas votará pelo fim da 6×1, mas também apresentará destaque em defesa da jornada 4×3. A escala 4×3 consiste em quatro dias de trabalho seguidos por três dias de folga, oferecendo mais tempo de descanso aos trabalhadores em comparação à tradicional escala 6×1, que prevê seis dias de atividade com apenas um de descanso.
A decisão do PL tem como objetivo estratégico constranger o governo Lula e os partidos que defendem o fim da 6×1, forçando-os a escolher entre votar contra o bem do trabalhador ou apoiar a jornada 4×3, o que poderia gerar atrito com o setor empresarial.
A estratégia do PL cria um impasse para os demais partidos: eles podem votar contra a escala 4×3 e o bem do trabalhador ou apoiar a proposta, mas se indispor com o setor empresarial.
O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), explicou que a mudança visa beneficiar o trabalhador, ao mesmo tempo que desafia partidos de esquerda a se posicionarem. “Nós vamos votar o fim da escala 6X1 para aprovar como destaque de preferência a jornada de quatro dias trabalhados para o trabalhador descansar três dias”, afirmou em discurso na tribuna.
Ele destacou ainda que a apresentação do destaque no plenário tem caráter de pressão política: “Já que vocês dizem que defendem trabalhador, votem conosco para a gente acabar com essa malfadada escala 6X1. Nós vamos votar a favor da 4X3. E, aí, nós veremos em que Brasil nós viveremos”.

A votação da proposta de fim da escala 6×1 está marcada para esta quarta-feira (27) e deve contar com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, que, assim como o presidente Lula, busca assumir protagonismo na iniciativa durante o período eleitoral.
O relatório do deputado Leo Prates propõe reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sendo a redução implementada 14 meses após a aprovação da PEC. A comissão especial responsável pela análise do texto precisou realizar uma sessão de oito minutos para viabilizar a votação, após um pedido de vista do deputado Mauricio Marcon (PL-RS) ter atrasado o cronograma.
Durante a sessão, presidida pelo deputado Charles Fernandes (PSD-BA), o único discurso registrado foi do deputado Jorge Solla (PT-BA), em defesa da redução da jornada de trabalho. A expectativa é que, após a aprovação na comissão especial, a matéria siga diretamente para votação no plenário da Câmara.
A deputada Erika Hilton (PSOL-SP), autora da proposta original, criticou a estratégia do PL. “É mais uma manobra do partido que foi o tempo todo contrário à matéria e trabalhou para não avançar o texto”, afirmou, classificando a iniciativa como tentativa de atrasar a votação e limpar a própria imagem do partido.
“Se hoje não estamos votando a escala 4×3 é porque eles (o PL) ocuparam os plenários para dizer que o fim da escala 6×1 era um absurdo e para mentir para os trabalhadores que haveria diminuição dos postos de trabalho e queda no PIB’, disse ela.
Érika Hilton: “Se hoje não estamos votando a escala 4×3 é porque eles (o PL) ocuparam os plenários para dizer que o fim da escala 6×1 era um absurdo e para mentir para os trabalhadores que haveria diminuição dos postos de trabalho e queda no PIB”
TRABALHADOR QUER VIVER
FIM DA… pic.twitter.com/LGccxLn0oF— Fábio Felix 🏳️🌈 (@fabiofelixdf) May 27, 2026
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/escala-4×3-entenda-a-estrategia-de-bolsonaristas-para-constranger-o-governo-lula/

