Em mais uma reação machista em meio ao desespero causado pelo vídeo-bomba em que a madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), expõe seu lado misógino e autoritário, Flávio Bolsonaro (PL) usou a coordenadora econômica de sua campanha, Daniella Marques Consentino, para defendê-lo em publicação na rede X. Antes dela, o senador já havia escalado a esposa, a dentista Fernanda Bolsonaro, para elogiá-lo na rede e rebater recados de Michelle, em um embate de versículos bíblicos.
“As mulheres não são vítimas da sociedade, né? As mulheres são fortes. Eu brinco que quem tem força para parir um filho tem força para qualquer coisa. Existe um Brasil primitivo ainda e com muita impunidade em relação a agressores, em relação a estupradores, em relação a bandidos”, diz Daniella em corte de entrevista ao Poder360.
Exigência da Faria Lima, que a trata pelo apelido machista de “Paulo Guedes de Saias” por sua trajetória integralmente ligado ao ex “superministro” de Jair Bolsonaro (PL), Daniella ressalta o trabalho em prol das mulheres que diz ter feito como presidenta da Caixa Econômica Federal. O que ela omite é que foi escalada à época justamente para minimizar os impactos das acusações sobre um escândalo sexual envolvendo seu antecessor, Pedro Guimarães.
SAIBA MAIS:
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Flávio Bolsonaro coloca “Paulo Guedes de saias” na campanha para ganhar aval da Faria Lima e anuncia “cortes drásticos”
Recém recrutada pela campanha de Flávio para agradar a Faria Lima e tentar estancar o derretimento do senador no eleitorado feminino, Daniella respondeu a publicação com um “estamos juntos. Vamos resgatar o Brasil”.
https://x.com/soudanimarques/status/2070603601907417164
O comentário marca a retomada da atuação da economista na rede X, onde não tinha publicado mais nada desde o fim do governo Jair Bolsonaro, em 12 de dezembro de 2022.
No vídeo publicado por Flávio, Daniella tenta uma manobra para atrelar a política de segurança pública em prol das mulheres às políticas neoliberais, de desmonte do Estado, usando uma expressão do ex-chefe.
“Se você cria os seus filhos para não serem dependentes de você, por que que um estado tem que tornar as mulheres dependente dele? Eu acho que não tem. Tem que Tem que apoiar a liberdade. Então, essa liberdade econômica, ela é muito importante. E aí, quando eu olho para a pauta, quem tem a agenda mais pró empreendedorismo e menos estado no cangote, é a esquerda ou é a direita? É uma obviedade”, dispara, forçando um comparativo esdrúxulo.
“O Estado não é o salvador das mulheres. Não, não é. Não é e não será. Então, o Estado tem que ser é incisivo com bandidos e criar cuidados e oportunidades para as mulheres”, disse, em declaração encomendada pela campanha para focar tudo nas mulheres e reduzir os danos causados por Michelle no eleitorado.
Atuação no Digimais
A publicação aconteceu pouco antes da revelação de que Daniella Marques Cosentino, coordenadora do programa econômico da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, integrou o Conselho de Administração do Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, entre fevereiro de 2024 e 8 de dezembro de 2025.
O banco é alvo da Operação Miragem da Polícia Federal, deflagrada em 23 de junho, que investiga suspeitas de gestão temerária, manipulação de demonstrativos contábeis e captação irregular de recursos.
O elo é mais um fator que liga a política econômica neoliberal conduzida por Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, então presidente do “autônomo” Banco Central, que proporcionou uma farra na Faria Lima, com atuação de forasteiros como Edir Macedo e Daniel Vorcaro, e abriu brecha para lavagem de dinheiro de facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital, o PCC.
Assim como o ex-chefe e guru, Daniella Marques é adepta do discurso de “modernização e desregulamentação” do sistema financeiro que, na prática, permitiu a entrada e atuação de organizações criminosas, como a Polícia Federal desvendou nos casos Master e Digimais.
O banco de Edir Macedo, comprado em 2009, só entrou em operação após Campos Neto ascender ao comando do BC e dar aval para a oficialização do Digimais, em 2020.
Registros da Junta Comercial de São Paulo mostram que Daniella Marques esteve no Conselho de Administração do Banco Digimais de fevereiro de 2024 até 8 de dezembro de 2025. Seu mandato estava previsto para durar até 20 de junho de 2026, mas o conselho foi extinto antes do prazo. A revelação é de Eduardo Militão, no site Metrópoles.
O banco, controlado pelo bispo Edir Macedo, é o alvo central da Operação Miragem da Polícia Federal. A presença de Daniella Marques no conselho do Digimais durante o período investigado pela PF é o elemento central desta revelação.
Ela não foi alvo da operação policial, e a natureza exata de sua participação nas decisões do conselho não está detalhada nos documentos disponíveis. O que os registros confirmam é que ela ocupou o cargo enquanto o banco acumulava, segundo a polícia, práticas financeiras de alto risco.
O histórico de Daniella Marques e sua ligação com o bolsonarismo
Como a Fórum antecipou em fevereiro, o nome da economista, braço direito de Paulo Guedes, era tratada pela Faria Lima como principal condição para apoio à candidatura de Flávio, em uma solução idêntica ao que ocorreu em 2018.
Derretendo nas pesquisas após a revelação da irmandade com Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro usou evento da revista Veja – veículo historicamente ligado aos interesses do sistema financeiro transnacional – no último dia 16 de junho para anunciar a entrada de Daniella Marques Consentino em sua campanha logo após anunciar que fará “cortes drásticos” nas despesas.
“De novo, vai ter que sobrar para um governo de direita arrumar a casa, mas nós vamos fazer. A gente tem que criar uma espécie de mecanismo que quando a relação dívida PIB ultrapassar esse determinado patamar, gatilhos automáticos vão ter que ser acionados para cortes drásticos de despesas. Não tem outro caminho“, afirmou, para delírio da Faria Lima.
O discurso alinhado com a Faria Lima deixou Maurício Lima, CEO da Editora Abril, à vontade para ser mais direto, bajulando a “Paulo Guedes de Saias” que estava na plateia com os assessores de Flávio Bolsonaro.
“Eu não vou aguentar, vou ter que fazer essa pergunta, porque ela está ali, está levantando até. Qual vai ser o papel da Daniella Marques, que foi ex-presidente da Caixa, assessora muito próxima ali do Paulo Guedes, também importante na primeira administração do seu pai, do Jair Bolsonaro?”, indagou o executivo da Editora Abril.
Na dobradinha, Flávio tratou a economista como “Dani”, mostrando intimidade, e fazendo o aceno que o sistema financeiro esperava.
“Dani é uma amiga que nós fizemos aí ao longo do governo do presidente Bolsonaro. É uma pessoa que tá se dispondo a estar próximo de nós. Não porque é mulher. É porque ela, para mim, a melhor pessoa que tinha no time do Paulo Guedes, era Dani Marques. Então, tenho certeza que muita coisa que o Paulo Guedes conseguiu implementar, a Dani ajudou a construir e a viabilizar. Então, pessoa que eu respeito demais, que eu confio demais. E está se dispondo a estar perto de nós aqui na campanha e vai me ajudar nessa parte econômica”, anunciou.
Após Flávio destilar elogios à economista, o CEO da Veja mostrou que entendeu o recado, de que Daniella Marques deve assumir o Ministério da Fazenda em um eventual novo governo Bolsonaro. “Com elogios assim já pode ir, né, Dani?”, brincou Maurício Lima.
Quem é a “Paulo Guedes de saias”
Por trás do apelido machista colocado pelos banqueiros e investidores – e ecoado por jornalistas mulheres na mídia liberal – está o nome de Daniella Marques Consentino.
Aprendiz de Guedes na iniciativa privada, a economista foi levada como braço direito ao “super” Ministério da Economia e usada pelo governo Bolsonaro para estancar a crise criada por Pedro Guimarães com o escândalo dos assédios sexuais, assumindo a Presidência da Caixa Econômica Federal. No comando do banco estatal, ela atuou ativamente na campanha de Jair Bolsonaro em 2022.
Alçado ao governo após trabalhar com Guedes na iniciativa privada – na Bozano Investimentos -, Daniella chegou a ser retida pela Polícia Legislativa em abril de 2019 ao tentar impedir a deputada Maria do Rosário (PT/PR) de falar com Guedes durante depoimento dele à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Daniella é uma espécie de “alter ego” de Guedes e, no governo, teria tido aval inclusive para negociar em seu nome como secretaria de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia.
Com o fim do governo Bolsonaro, Daniella seguiu os passos do chefe na iniciativa privada. Guedes, como todo o mercado sabe, segue dando cartas no BTG. Tanto que ensaiou um acordo para ser sócio da Legend Capital, uma gestora de fundos afiliada ao BTG.
Em março de 2024, no entanto, o ex-super-ministro da Economia anunciou que atuaria como conselheiro sênior da Legend, “posição a partir da qual permanece atuando em temas estratégicos e pontuais, até pela proximidade longeva com os sócios”, segundo nota divulgada pela assessoria dele.
Para seu lugar, na Presidência do Conselho da Legend, escalou a fiel escudeira Daniella Marques.
Em setembro de 2025, o mesmo Brazil Journal fala da atuação da pupila de Guedes na Legend, “o wealth management que Pedro Salles e Túlio Lopez fundaram em 2020 e hoje assessora R$ 35 bilhões de clientes”, sem mencionar outro sócio: Roberto Justus.
Entre os “cases” da Legend, está a distribuição do patrimônio na conturbada separação do empresário Alexandre Correa da apresentadora Ana Hickmann, que foi cerimonialista da posse de Daniella no comando da Caixa Econômica.
Wealth management (gestão de patrimônio) é um serviço financeiro voltado para pessoas ou famílias com patrimônio elevado que precisam organizar, proteger e fazer crescer seu dinheiro de forma estratégica. Ou seja, Daniella atua junto aos clãs de endinheirados no Brasil, construindo “pontes para o middle market”, segundo o site.
O termo cunhado pelo mercado pode ser resumido como a ponte entre os grandes empresários que buscam comprar médias empresas por meio do mercado financeiro, aumentando a concentração de renda nas classes mais abastadas – e consequentemente aprofundando o fosso da desigualdade no país.
Em um pretenso governo Flávio Bolsonaro, a “Paulo Guedes de Saia”, como definem os banqueiros, retomaria as políticas neoliberais de seu eterno chefe e colocaria o Brasil de volta nos trilhos historicamente desejados pela Faria Lima, drenando recursos e empresas públicas para as mãos dos endinheirados que controlam o mercado, a mídia liberal, o Centrão e a ultradireita neofascista por meio dos cabrestos em suas apostas eleitorais.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/esposa-flavio-bolsonaro-usa-paulo-guedes/

