O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), ao lado de Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), tentou, ao longo desta quarta-feira (27), impedir o avanço da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que propõe o fim da escala 6×1. No entanto, a matéria foi aprovada na Comissão Especial e será votada ainda nesta quarta no Plenário da Câmara.
Na noite desta terça-feira (26), Sóstenes Cavalcante e Nikolas Ferreira revelaram que o PL apresentaria uma emenda propondo a escala 4×3 sem período de transição, o que, na prática, inviabilizaria a PEC. A estratégia da extrema direita, que é contra o fim da escala 6×1, era colar a pecha de que os parlamentares governistas seriam, na verdade, contra o descanso dos trabalhadores — uma fake news e uma estratégia de desinformação com os olhos voltados para a eleição de 2026.
Durante entrevista ao vivo para alguns meios de comunicação, Nikolas Ferreira repetia o argumento em defesa da escala 4×3. No entanto, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) “invadiu” o link ao vivo, entregou um óleo de peroba ao parlamentar e o desmentiu em tempo real.
Ferreira ficou sem reação e não conseguiu esconder o constrangimento, passando vergonha em rede nacional. Confira no vídeo abaixo:
https://x.com/samiabomfim/status/2059741499525415362
Nikolas Ferreira expõe manobra cruel de bolsonaristas ao propor escala 4×3: “que a quebradeira comece antes das eleições”
Em um vídeo recheado de ironias e chavões neoliberais, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) expôs a manobra cruel de bolsonaristas, capitaneados por Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), de propor uma escala 4×3 – com três dias de folga e quatro trabalhados – para travar a tramitação do Projeto de Lei que coloca fim à escala 6×1.
No vídeo, Nikolas ataca a medida a favor dos trabalhadores e repete jargões neoliberais, ecoados pela Faria Lima e mídia liberal, dizendo que “a medida populista hoje pode virar desemprego amanhã” e que “não existe almoço grátis na economia”, máxima cunhada pelo “papa” do neoliberalismo, Milton Friedman.
Mais adiante, Nikolas diz que os bolsonaristas cogitaram votar a favor do PL para não “ficar mal com a sociedade” durante as eleições – ou seja, para não perder votos. E expõe a manobra cruel ao propor a escala 4×3 sem estudo algum que dê sustentação à proposta.
“Existe um meio de abrir os olhos das pessoas que é apoiar, não somente a 5×2, mas apoiar a 4×3, que seja vigorado amanhã e que a quebradeira comece antes das eleições”, diz, enfatizando que “muitas das vezes, para melhorar, tem que piorar”.
“Ou seja, a gente não vai apoiar porque a gente concorda com essa medida populista irresponsável, não. Porque a gente quer mostrar que quando der merda, a culpa é deles”, emenda, revelando a estratégia por trás da proposta.
Hipocrisia
Líder do PL, Sóstenes Cavalcante anunciou nesta terça-feira (26) que a bancada vai defender a votação da PEC 8/2025 para tentar aprovar a escala 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso, na discussão sobre o fim da escala 6×1.
O movimento ocorre às vésperas da reunião da comissão especial da Câmara marcada para esta quarta-feira (27), às 10h30, para discutir e votar o parecer do relator Leo Prates (Republicanos-BA) sobre a redução da jornada de trabalho.
A guinada expõe a contradição do líder bolsonarista. O PL mudou de posição para tumultuar a votação e passou a defender a escala 4×3 depois de resistir ao avanço da proposta que acaba com a escala 6×1.
Em publicação no X, Sóstenes afirmou que o PL estaria “ao lado do trabalhador brasileiro” e que, após reunião da bancada, decidiu defender “a votação da PEC 8/2025, com destaque de preferência, para avançarmos na escala 4×3”.
A contradição foi apontada nas redes pelo deputado Thiago Süssekind (União-RJ), que recuperou a mudança de postura do líder do PL no debate sobre o fim da escala 6×1.
O próprio Sóstenes compartilhou a publicação de Nikolas Ferreira, que expões a manobra cruel.
Escala 4×3 vira arma contra Lula
Ao defender a escala 4×3 no momento decisivo da tramitação, Sóstenes tenta inverter o desgaste. O partido que vinha resistindo à redução da jornada passa a acusar PT, PSOL e governo Lula de não apoiarem uma proposta ainda mais generosa ao trabalhador.
A movimentação ocorre em meio à pressão social pelo fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um. A pauta ganhou força no Congresso após mobilização popular e passou a ser tratada como uma das principais agendas trabalhistas do ano.
Na prática, a proposta do relator acaba com a escala 6×1 ao estabelecer dois dias de descanso por semana. Já a ofensiva de Sóstenes e do PL tenta deslocar o centro do debate para a escala 4×3 e transformar uma reivindicação dos trabalhadores em instrumento de desgaste contra o governo Lula.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/nikolas-ferreira-passa-vergonha-ao-vivo-ao-ser-desmentido-por-samia-bomfim/

