Trump faz acordo de “colaboração militar” com países da América Latina para pressionar o Brasil

Soldados americanos

O Departamento de Estado americano anunciou nesta quinta-feira (28) que as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) serão oficialmente classificadas como “terroristas globais especialmente designados” e como “organizações terroristas estrangeiras”.

O anúncio foi feito um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado, Marco Rubio. Apesar de frequentemente aplicadas às mesmas organizações, as duas designações possuem dispositivos legais distintos no governo estadunidense.

A decisão faz parte de uma estratégia de Washington para pressionar países da América Latina a permitir intervenções, combinando designações terroristas, sanções financeiras e operações militares coordenadas.

Segundo reportagem do New York Times, essa política já é aplicada em outros países, onde tropas dos EUA oferecem assessoria e apoio logístico em ataques aéreos e incursões contra cartéis, consolidando presença militar e influência política na região.

Em março, o presidente Donald Trump recebeu na Flórida lideranças de extrema-direita da América Latina, prometendo “erradicar os cartéis criminosos que assolam a região”. Durante o encontro, a Casa Branca reforçou a necessidade de cooperação militar e coordenação entre os países aliados para implementar uma pressão direta sobre organizações criminosas transnacionais.

A Guatemala concordou em permitir que as forças militares dos Estados Unidos realizem operações conjuntas em seu território com o objetivo declarado de combater grupos de tráfico de drogas. Na semana passada, o presidente guatemalteco, Bernardo Arévalo, aprovou ataques aéreos e outras ações durante uma ligação com o secretário de Defesa, Pete Hegseth.

Trump com líderes da extrema-direita latino-americana em Miami

As operações devem começar já no próximo mês, embora ainda não esteja claro quais outras atividades militares poderão ser incluídas no acordo. A estratégia inclui pressionar Honduras e, indiretamente, o México a aceitar operações conjuntas. A presidente mexicana Claudia Sheinbaum recusou veementemente pedidos de Washington para permitir presença militar em seu território, refletindo resistência regional à militarização do combate ao tráfico.

Nos Estados Unidos, Stephen Miller, assessor de segurança nacional e ex-chefe de gabinete adjunto, coordena reuniões periódicas para monitorar os avanços das operações e definir prioridades estratégicas, destacando os resultados do Pentágono.

Embora o Pentágono tenha comemorado os ataques conjuntos no Equador como um marco transformador em sua guerra contra as drogas, as operações nem sempre atingiram os resultados esperados. Em março, uma dessas ações atingiu uma fazenda de gado e leite, segundo investigação do New York Times, e não o complexo de tráfico que o secretário de Defesa Pete Hegseth havia divulgado ao afirmar que os Estados Unidos estavam “bombardeando agora narcoterroristas em terra”.

A criação da Americas Counter Cartel Coalition (Coalizão das Américas contra os Cartéis), que reúne 20 países latino-americanos, reforça a lógica da intervenção: combinar presença militar, designações terroristas e sanções financeiras para garantir resultados rápidos e consolidar a influência de Washington. A doutrina aplicada, conhecida informalmente como Donroe, prioriza força, inteligência e pressão política em detrimento de estratégias tradicionais de investigação e aplicação da lei.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/trump-faz-acordo-de-colaboracao-militar-com-paises-da-america-latina-para-pressionar-o-brasil/