Celso Amorim diz que Brasil não pode depender só do diálogo para proteger soberania

O assessor especial da Presidência da Republica, e ex-ministro de Relações Exteriores e da Defesa, Celso Amorim. Foto: Reprodução/Alessandro Dantas

Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, afirmou que o Brasil precisa ter capacidade de dissuasão para defender sua soberania em um cenário de ofensivas militares, pressões externas e instabilidade internacional. A declaração foi dada em entrevista ao Brasil de Fato, em Moscou, onde ele participou do Fórum Internacional de Segurança de 2026.

“Você tem que ter capacidade dissuasória. Eu acho que isso é o mínimo para você atuar nas relações internacionais. É muito bom ser pacifista, é muito bom procurar o diálogo, mas ter um apoiozinho na hora do vamos ver”, disse o ex-chanceler.

A fala ocorre em meio à reação do governo brasileiro à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Em discurso citado na entrevista, Amorim afirmou que o crime organizado deve ser combatido com energia, mas disse que “equiparar o crime organizado ao terrorismo, no entanto, não é útil”.

Amorim também comentou ações de Washington contra outros países e afirmou que o Brasil condena a invasão da Venezuela, a guerra contra o Irã e vê com preocupação a situação de Cuba. “Eu acho que uma solução de força não vai dar certo e vai implicar em muita morte, muito sofrimento”, declarou.

Na entrevista, o assessor de Lula retomou a tentativa de mediação feita por Brasil e Turquia com o Irã em 2010. Segundo ele, o movimento ocorreu após pedido do então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mas acabou frustrado pela posição estadunidense em defesa de sanções no Conselho de Segurança da ONU.

Amorim disse ainda que há uma reaproximação política entre Brasil e Rússia, mas apontou um problema comercial na relação bilateral. “O maior déficit comercial que o Brasil tem é com a Rússia. Então, isso tem que mudar”, afirmou.

Questionado sobre armas nucleares, o ex-ministro da Defesa lembrou que a Constituição brasileira proíbe esse tipo de armamento, mas defendeu outros meios de dissuasão. Para Amorim, o objetivo é “aumentar o custo de uma aventura intervencionista” e garantir que o país possa defender sua soberania sem abrir mão do diálogo.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/celso-amorim-diz-que-brasil-nao-pode-depender-so-do-dialogo-para-proteger-soberania/