As menções a “Dark Horse” na delação premiada de Vorcaro

Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

A nova proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cita o patrocínio ao filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A menção deixou bolsonaristas apreensivos em um primeiro momento, mas aliados do banqueiro afirmam que ele sustenta não ter havido irregularidades no financiamento da produção.

Segundo Metrópoles, interlocutores indicam que Vorcaro defende na delação que a negociação com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o patrocínio teria sido republicana e sem contrapartidas. A inclusão do tema na proposta teria ocorrido após o vazamento de mensagens em que ele e Flávio tratam dos repasses ao filme.

Aliados do banqueiro dizem que o objetivo foi esclarecer os fatos. O caso ganhou novo peso porque a Entre Investimentos e Participações, empresa apontada como intermediadora de repasses de Vorcaro para “Dark Horse”, enviou R$ 139 milhões a empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro.

As movimentações ocorreram entre julho de 2022 e dezembro de 2025, segundo relatório do Coaf. As empresas que receberam os valores são investigadas por suspeita de ligação com fraudes no setor de combustíveis, com o PCC e com integrantes da máfia italiana Ndrangheta.

O Coaf fez alerta de “suspeição” sobre os repasses e apontou que a Entre pode ter sido usada como “conta de canal de passagem”. A empresa aparece no caso porque foi usada por Vorcaro para fazer pagamentos ao Havengate Development Fund LP, fundo registrado nos Estados Unidos.

Segundo o Intercept Brasil, um comprovante de US$ 2 milhões indica envio de recursos ao fundo para financiar “Dark Horse”. O Havengate tem como agente legal o escritório de um advogado do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Jim Caviezel como Jair Bolsonaro em “Dark Horse”. Foto: reprodução

Flávio Bolsonaro admitiu ter trocado mensagens com Vorcaro para cobrar repasses ao filme, mas afirma que o contrato previa financiamento privado da produção e nega irregularidades.

Quando o financiamento foi revelado, o senador disse que era “falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro” e afirmou que “os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos”.

A Polícia Federal pretende pedir às autoridades dos Estados Unidos a quebra de sigilo do Havengate Development Fund. A medida dependerá de cooperação internacional e autorização da Justiça estadunidense.

Investigadores querem esclarecer a destinação dos valores enviados pela Entre Investimentos. Uma das hipóteses é verificar se parte dos recursos foi usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, ou em articulações contra autoridades brasileiras.

A nova proposta de delação foi entregue à PF e à Procuradoria-Geral da República em 1º de junho. A defesa espera resposta até o fim desta semana, prazo final do acesso ampliado dos advogados a Vorcaro, autorizado pelo ministro André Mendonça, relator do Caso Master no STF.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/as-mencoes-a-dark-horse-na-delacao-premiada-de-vorcaro/