O Banco Master teve nesta terça-feira (9) dois movimentos que mexem diretamente com o rumo da investigação: o ex-sócio Maurício Quadrado aceitou manter bens travados enquanto negocia com o liquidante da instituição, e a tentativa de delação do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa segue sem acordo fechado na Papudinha, em Brasília.
Quadrado e familiares se comprometeram a não vender, doar ou transferir bens enquanto a liquidação tenta recuperar R$ 230 milhões repassados em 2024 ao Fundo Albali, ligado ao empresário. O acordo suspende a ação por 90 dias e mantém o patrimônio no radar do liquidante.
O caso deixa de depender apenas de prisões, depoimentos e disputa de versões. A frente aberta agora é patrimonial. O objetivo é saber onde está o dinheiro, quais bens ainda podem ser alcançados e se houve tentativa de blindagem antes da liquidação extrajudicial do Master.
Banco Master mira bens de ex-sócio
A ação contra Quadrado tem como centro o Fundo Albali. A liquidação aponta que o Banco Master transferiu recursos ao fundo sem contrapartida aparente. O fundo também aparece ligado a negócios imobiliários e a operações feitas no entorno do banco antes da quebra.
Entre os pontos sob análise estão doações de imóveis feitas por Quadrado e pela esposa a familiares pouco antes da liquidação. Os bens teriam sido transferidos com cláusulas que dificultariam penhora e partilha. O liquidante também questiona a venda de um imóvel no Edifício Metropolitan, na Vila Mariana, em São Paulo, por R$ 5,9 milhões a uma empresa dirigida por Quadrado e pela esposa.
A defesa de Quadrado nega desvio de recursos e sustenta que ele tem colaborado com a liquidação. O acordo não é confissão de culpa. Mas é relevante porque segura bens que podem ser usados na recomposição do rombo deixado pelo Master.
Delação de ex-BRB não sai do lugar
A outra ponta da crise está na Papudinha. Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, tenta montar uma colaboração premiada, mas a negociação ainda não destravou. O problema é o conteúdo. A Polícia Federal quer documentos, fluxo financeiro, nomes e autorizações internas das operações entre o banco público e o Master.
A Fórum já mostrou que quatro investigados no caso Banco Master e BRB avaliavam delação premiada. Também revelou que Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel e Paulo Henrique Costa acenaram para a PF e a PGR em busca de acordos.
Agora, a diferença é que a delação de Costa ainda não entregou o que os investigadores consideram essencial. Sem prova material e caminho do dinheiro, a colaboração perde valor. Com documentos, pode atingir a cadeia de decisões que aproximou o BRB do Master e explicar quem autorizou as operações mais sensíveis.
BRB segue pressionado pelo caso Banco Master
O BRB continua no centro da crise. O banco público tenta reduzir a exposição aos ativos ligados ao Master por meio de uma operação de R$ 15 bilhões com a Quadra Capital. A Fórum mostrou que o BRB firmou acordo para transferir ativos comprados do Banco Master a um fundo de investimento.
A estrutura prevê pagamento à vista entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões. O restante ficaria em cotas subordinadas. Na prática, é uma tentativa de organizar o balanço do BRB depois da exposição ao banco liquidado, mas a operação não elimina a cobrança sobre governança, risco e autorização interna.
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado marcou audiência com o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, para tratar das operações com o Master. A pressão política cresce porque o caso envolve banco público, investigação criminal e uma crise bilionária que se arrasta desde a intervenção do Banco Central.
Crise do Banco Master chega a governos e consignado
O caso também avança para além do sistema financeiro. A Fórum revelou que relatório da Alerj aponta decreto de Cláudio Castro sob medida para abrir espaço à Credcesta, ligada ao Banco Master, no consignado de servidores do Rio de Janeiro.
Essa frente amplia o alcance político da investigação. O Master aparece associado a bancos públicos, governos estaduais, operações de crédito consignado, fundos e personagens do bolsonarismo. A crise deixou de ser apenas a queda de uma instituição financeira e virou um mapa de relações entre dinheiro privado, poder público e operadores políticos.
Nesta fase, o que importa é menos o ruído e mais a prova. A trava sobre os bens de Quadrado mostra que a liquidação quer recuperar patrimônio. A delação emperrada de Paulo Henrique Costa mostra que a PF ainda cobra materialidade. E a pressão sobre o BRB mostra que a conta política do Banco Master ainda está longe de fechar.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/banco-master-acordo-delacao-brb/

