Por que a Copa de 2026 pode ser a última

Trump segura a taça da Copa do Mundo

A Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, pode representar o início do fim do maior evento esportivo do planeta. Essa é a tese defendida pelo professor de gestão esportiva Stefan Szymanski e pelo jornalista Ashish Malhotra em artigo publicado na revista britânica The Economist.

Segundo os autores, que apresentam o podcast Soccernomics, o crescimento do nacionalismo e o enfraquecimento das instituições internacionais colocam em risco a continuidade do torneio organizado pela FIFA.

Eles lembram que a Copa do Mundo sempre esteve ligada a interesses políticos. Exemplos históricos incluem a edição de 1934, usada por Benito Mussolini como instrumento de propaganda na Itália fascista, e a Copa de 1978, realizada durante a ditadura militar argentina. Mesmo torneios considerados bem-sucedidos, como os da França-1998 e Alemanha-2006, serviram a projetos nacionais específicos.

Agora, porém, há um cenário diferente. A Copa de 2026 será a terceira consecutiva cercada por críticas relacionadas a direitos humanos e política internacional dos países-sede.

Para Szymanski e Malhotra, a edição organizada pelos Estados Unidos apresenta situações inéditas. Será a primeira Copa realizada por um país envolvido em um conflito militar com uma nação participante, além da existência de restrições migratórias que afetam cidadãos de países classificados para o torneio.

O texto também critica as políticas de imigração dos Estados Unidos, o ICE e o elevado custo dos ingressos, fatores que podem reduzir a participação de torcedores estrangeiros.

Crise interna na FIFA

A FIFA enfrenta divisões cada vez maiores entre a Europa, responsável pela maior parte das receitas do futebol mundial, e as demais federações, que concentram o poder político dentro da entidade.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, tem buscado enfraquecer a influência da UEFA e ampliar o controle da entidade sobre novas fontes de receita, como demonstrado pela expansão do Mundial de Clubes.

Disputas envolvendo sindicatos de jogadores, críticas ao calendário cada vez mais congestionado e conflitos com federações continentais pioram o cenário.

Na África, a credibilidade da Confederação Africana de Futebol foi afetada por controvérsias relacionadas à organização da Copa Africana de Nações.

Possível colapso

Os Jogos Olímpicos enfrentaram crises profundas após a Segunda Guerra Mundial e sofreram sucessivos boicotes nas décadas de 1970 e 1980.

A FIFA depende da cooperação entre suas associações filiadas e eventuais conflitos diplomáticos durante a Copa de 2026 podem provocar rupturas difíceis de reparar.

Embora reconheçam que a realização da Copa de 2030 seja o cenário mais provável, os autores afirmam que sua continuidade não deve ser considerada garantida.

“O crescimento da Copa do Mundo foi constante desde 1930. Nada cresce para sempre. Quando o crescimento para, geralmente o declínio vem em seguida — e pode ser rápido”, escrevem.

A Copa de 2026 poderá servir como ponto de convergência para todas as críticas acumuladas contra os excessos do futebol globalizado e contra a própria FIFA.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-a-copa-de-2026-pode-ser-a-ultima/