O significado da imagem na camisa do Haiti censurada pela Fifa

Camisa da seleção do Haiti. Foto: Reprodução

A Fifa pediu alterações na camisa da seleção do Haiti para a Copa do Mundo de 2026 após avaliar que elementos do uniforme poderiam ser interpretados como “mensagem política”. O principal destaque da peça é uma ilustração da Batalha de Vertières, confronto decisivo para a independência haitiana e considerado um dos marcos mais importantes da história do país.

O uniforme, desenvolvido pela marca Saeta, mostra homens e mulheres carregando a primeira bandeira nacional do Haiti. Ao apresentar a camisa, a empresa afirmou: “Isso é mais do que uma simples camisa; é uma homenagem ao povo do Haiti. Nossa história não é apenas contada, ela é usada, defendida e jogada com orgulho”.

A imagem faz referência à Revolução Haitiana, iniciada em 1791. Na época, o território era a colônia francesa de São Domingos, cuja economia dependia do trabalho de centenas de milhares de pessoas escravizadas em plantações de açúcar, café e algodão.

Batalha de Vertières representada na camisa da seleção do Haiti. Foto: Reprodução

Inspirados pelos ideais da Revolução Francesa, grupos rebeldes iniciaram uma revolta contra a escravidão e o domínio colonial. O movimento se transformou na única revolta de pessoas escravizadas bem-sucedida da história moderna.

Entre seus líderes estavam Dutty Boukman, responsável por mobilizações iniciais, e Toussaint Louverture, que organizou a resistência militar contra os franceses. Após a captura de Louverture, a luta passou a ser comandada por Jean-Jacques Dessalines.

Em 18 de novembro de 1803, suas tropas enfrentaram e venceram o exército francês liderado por Donatien de Rochambeau na Batalha de Vertières, considerada o confronto final da revolução. A derrota obrigou as forças enviadas por Napoleão Bonaparte a abandonar a ilha.

“O Juramento dos Ancestrais”, quadro do francês Guillaume Guillon-Lethière sobre a Revolução Haitiana. Foto: Reprodução

Pouco mais de um mês depois, em 1º de janeiro de 1804, foi proclamada a independência do Haiti. O novo país adotou o nome de origem indígena taíno e tornou-se a primeira república negra do mundo e a segunda nação das Américas a conquistar independência.

A vitória haitiana teve repercussão internacional e inspirou movimentos contra a escravidão em diferentes regiões do continente. Ao mesmo tempo, o novo país passou a enfrentar isolamento diplomático e dificuldades econômicas impostas por potências estrangeiras.

Apesar da reclamação da Fifa, a Saeta afirma que a intenção nunca foi transmitir mensagem política. “Nosso objetivo ao longo do processo foi criar uma camisa que celebrasse o orgulho, a resiliência e o espírito do povo haitiano”.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-significado-da-imagem-na-camisa-do-haiti-censurada-pela-fifa/