Redução da jornada amplia emprego formal e proteção a trabalhadores, afirma senador Paim

A proposta que põe fim à escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho semanal para 40 horas, sem redução salarial, continua ocupando diversos discursos no Plenário do Senado. Esta semana, os senadores Humberto Costa (PT-PE), Paulo Paim (PT-RS) e Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) defenderam a urgência da votação no Senado.

Na segunda-feira (8), o senador Humberto Costa (PT-PE) defendeu a “prioridade” da pauta e argumentou que a mudança “é essencial para melhorar as condições de trabalho” e deve “ser analisada com urgência pelo Senado”.

“Estamos falando de algo que toca o núcleo da vida cotidiana, que é o tempo. Tempo de viver, tempo de cuidar, tempo de existir para além do trabalho. A escala 6×1 impõe seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso. Na prática, isso significa um ciclo contínuo de desgaste que compromete a saúde física, mental e emocional dos trabalhadores”, declarou o senador.

Costa também contestou os que afirmam que a proposta traria prejuízos econômicos para o país e citou exemplos de experiências e iniciativas de jornadas reduzidas com ganhos em produtividade e melhorias nas condições de trabalho.

Para Humberto Costa, “o fim da escala 6×1 representa um passo civilizatório para o Brasil”. “Isso demonstra que o tempo do trabalhador é importante; que sua vida fora do trabalho é importante; que sua saúde, sua família, sua dignidade e sua liberdade são importantes”, afirmou.

Citando estudos que indicam que milhões de trabalhadores cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais, enfrentam longos períodos de deslocamento entre casa e trabalho, e que 14,8 milhões de trabalhadores no país estão submetidos à escala 6×1, o senador Paulo Paim defendeu que os trabalhadores merecem mais saúde, convívio com a família, e mais tempo para estudo e lazer.

“Na prática, milhões de brasileiros passam quase toda a sua vida dedicados ao trabalho e ao transporte. Por isso, defendemos o fim da escala 6×1. Estamos falando de equilíbrio e de bom senso. O principal ponto é a qualidade de vida: jornadas menores significam mais saúde para a nossa gente; significam mais tempo para o convívio familiar, para o estudo, para o lazer, para o descanso”, ressaltou Paulo Paim em discurso no Plenário na terça-feira (9).

Para Paim, “reduzir jornada é distribuir, de forma mais justa, o trabalho. É permitir que milhões de brasileiros tenham acesso ao emprego formal, à proteção previdenciária e aos direitos trabalhistas. E é também uma resposta moderna aos desafios do século XXI: em um mundo marcado pelos avanços tecnológicos, pela inteligência artificial, pela automação e pela digitalização de processos produtivos, é fundamental que os ganhos de produtividade sejam compartilhados com todos”, finalizou.

Também na terça-feira, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) discursou pedindo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que a proposta aprovada na Câmara dos Deputados seja pautada “com prioridade”, e não seja “travada” no Senado, e reiterou seu apoio ao “fim da escala 6×1”.

De acordo com o senador, independente da origem política da proposta, ela vota “pela população brasileira”. “E é isso que a população quer”, disse. “Não importa se é proposta do Lula, se é a favor do povo, eu voto”, disse Cleitinho.

Fonte: https://horadopovo.com.br/reducao-da-jornada-amplia-emprego-formal-e-protecao-a-trabalhadores-afirma-senador-paim/