A Copa do Mundo começou sob um esquema de segurança descrito como “épico” e “sem precedentes” por autoridades de Nova Jersey, que terão papel central na proteção de seleções, torcedores e estádios durante o torneio. Os Estados Unidos concentram 11 das 16 cidades-sede e receberão 78 jogos em 39 dias, incluindo a final, marcada para 19 de julho, no MetLife Stadium.
A operação envolve mais de 400 órgãos de segurança locais, o governo federal e empresas privadas. O país também carrega um histórico de traumas ligados a atentados, como a bomba na Olimpíada de Atlanta, em 1996, e os ataques de 11 de setembro de 2001. Por isso, foram destinados US$ 625 milhões, cerca de R$ 3,2 bilhões, em subsídios federais adicionais aos orçamentos locais.
Outro ponto de preocupação é a atuação do ICE, a polícia migratória. Segundo informações do Uol, as forças de segurança da Copa descartam operações de deportação nos arredores ou dentro dos estádios em dias de jogos.
“Estamos aqui para proteger os torcedores e o próprios evento, de proporções épicas e sem precedentes; vamos deixar de lado outras prioridades nacionais em prol da segurança nesta área de atuação”, afirmou o tenente-coronel Doug Lemanowicz.
O ICE, porém, informou que participará das operações de segurança, “assim como fazemos em todos os grandes eventos esportivos, ao mesmo tempo em que exibimos a grandeza americana para todo o mundo”.
O órgão acrescentou: “Visitantes internacionais que vêm legalmente aos Estados Unidos para a Copa do Mundo não têm com o que se preocupar. O que torna alguém um alvo das ações de fiscalização de imigração é o fato de estar ou não ilegalmente nos EUA -ponto final. Especulações em contrário são fruto de desinformação”.

Entre as medidas de proteção às delegações, cada uma das 48 seleções terá um agente do Serviço Secreto acompanhando o grupo 24 horas por dia, sete dias por semana. A orientação é que o agente fale a língua nativa da equipe e atue como ponte entre a delegação e as forças de segurança da Copa.
O Serviço Secreto admite que o nível de risco varia de acordo com cada seleção, mas não divulga um ranking. O caso do Irã é considerado sensível porque os Estados Unidos, um dos anfitriões, estão em guerra com o país, que também disputa o Mundial. A tensão levou os iranianos a mudarem sua base do Arizona para Tijuana, no México, embora seus jogos estejam previstos em solo estadunidense.
Um dos principais temores das autoridades é o uso de drones em ataques contra estádios. A popularização desses equipamentos e seu uso em guerras recentes, como na Ucrânia e no Irã, levaram o FBI a ampliar treinamentos e sistemas de detecção e neutralização. Uma lei assinada por Donald Trump destinou US$ 250 milhões, quase R$ 1,3 bilhão, às cidades-sede para tecnologia anti-drones.
Nos estádios, torcedores devem encontrar um padrão de inspeção semelhante ao de aeroportos, com scanners corporais, detectores de metal, revista de bolsas e mochilas e reconhecimento facial. O uso dessa tecnologia gerou questionamentos sobre privacidade, especialmente para imigrantes e não cidadãos.
“A questão gira em torno de como essas tecnologias poderão ser utilizadas em operações futuras e por quanto tempo, por exemplo, eles manterão bancos de dados com essas informações. Isso não está claro. Até o momento, a administração Trump afirmou que haverá certas restrições — como, por exemplo, não registrar imagens nem monitorar cidadãos americanos. No entanto, eles foram menos claros quanto ao que acontece com informações de não cidadãos e imigrantes nos Estados Unidos”, afirmou Ariel Ruiz, do Instituto de Políticas Migratórias.
As autoridades negam excesso na coleta de dados. “Estamos trabalhando com a assessoria do nosso time legal e não estamos preocupados porque não estamos invadindo a privacidade de ninguém”, disse o tenente-coronel David Sierotowicz, comandante de incidente da Copa em Nova York/Nova Jersey.
Sierotowicz recomenda que os torcedores “antecipem sua chegada aos estádios”, diante da expectativa de filas longas nas inspeções.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sem-ice-mas-com-scanner-corporal-o-rigido-sistema-de-seguranca-dos-eua-para-a-copa-do-mundo/

