Em situação de normalidade, a carta enviada por Flávio Bolsonaro ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) seria uma tragédia para a direita. Em situações anormais, que o Brasil enfrenta pelo menos desde o golpe contra Dilma, em 2016, a carta é apenas uma barbeiragem.
Flávio diz às autoridades americanas, na carta-relatório, que o tarifaço de 25% proposto pelo órgão a Trump seria bom para o governo Lula, porque haverá eleição em outubro.
Diz a carta: “As tarifas propostas dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem buscando”. Só mais adiante o candidato da extrema direita afirma que empresas americanas e brasileiras seriam punidas.
Prestem atenção na hierarquia dos argumentos. O tarifaço não é um desastre para a economia brasileira, mas sim uma medida que beneficiaria Lula.
Quando trata dos danos econômicos, em segundo plano, Flávio diz que a medida é ruim para as empresas americanas, citadas antes das empresas brasileiras.
Se Lula produzisse algo semelhante, em outras circunstâncias, seria atacado pela direita, por empresários e por todos os setores da economia atingidos pelo tarifaço. Mas não há, em relação à carta de Flávio, nenhuma reação indignada.
Por que não há? Porque o empresariado nunca reagiu com vigor à cumplicidade dos Bolsonaros com o tarifaço. Nunca foi crítico da posição de Flávio, desde o primeiro aumento de tarifas em abril de 2025.
Flávio escreveu ao USTR porque teme danos na sua candidatura, e não na economia brasileira. A Folha de S. Paulo informa: “O relatório enviado por Flávio tem 19 páginas de argumentação, além de diversos anexos. Logo no início, ele diz que Lula se fortalece eleitoralmente quando Trump ameaça tarifar o Brasil”.
Em 19 páginas, a preocupação que prevalece é a eleitoral, e não a econômica. Tanto que o traidor insiste: “Pesquisas de opinião no Brasil mostram que a posição eleitoral do atual governo se fortaleceu justamente nos períodos em que a pressão exercida pelas tarifas americanas foi mais intensa”.
Os argumentos são tão descarados que Flávio chega a admitir que o primeiro tarifaço, de um ano atrás – apoiado por ele e por seu irmão Eduardo –, não teve o efeito esperado, que era o de pressionar o Supremo, para que seu pai fosse absolvido pelo golpe.
Para completar, tem mais essa. Flávio defende na carta-traição que o Brasil adote uma lei que proíba o uso do PIX em “arranjos não ocidentais de liquidação transfronteiriça”, ou seja, uma lei que impeça o PIX em mecanismos de negociação (não ocidentais) com a China.
A carta certamente não foi escrita por Flávio, que não tem condições de escrever nem bilhete para Vorcaro, mas por um preposto ‘especializado’ em relações internacionais. Não é coisa de amador, é obra de imbecil mesmo.
Lula é o ÚNICO que quer o tarifaço contra produtos brasileiros.
Provocou, esbravejou, não negociou e fez lobby a favor do PCC e do Comando Vermelho para que não fossem classificados como terroristas.
Envergonhou o Brasil perante o mundo! Ignorou o sofrimento de mais de 50…
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) July 2, 2026
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/carta-traicao-flavio-tarifaco-nao-e-coisa-de-amador/

