PSOL denuncia ofensiva bolsonarista na Alerj após perder comando de comissões

Parlamentares do PSOL denunciam uma nova ofensiva bolsonarista na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) após parlamentares do Partido Liberal (PL) reorganizarem as comissões e retirarem todos os deputados do partido de esquerda da presidência. 

Nesta terça-feira (9), na reunião do Colégio de Líderes, o presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), afirmou que vai reorganizar a distribuição das presidências das comissões permanentes da Casa de acordo com o número de parlamentares de cada partido. Com 23 deputados, o PL é a legenda com mais representação. 

Com essa nova configuração, três deputados do PSOL terão que deixar a chefia das comissões. São eles Flávio Serafini, da Comissão dos Servidores, Dani Monteiro, de Defesa dos Direitos Humanos e Renata Souza de Defesa dos Direitos da Mulher. 

Para a deputada Renata Souza, a ação do PL é uma “manobra institucional e autoritária”.  

“Trata-se de ofensiva sistêmica e coordenada contra o PSOL-RJ”, afirma a parlamentar.  De acordo com Renata, a reconfiguração bolsonarista constitui um aparelhamento institucional do Legislativo para fins de retaliação política.

A deputada explica que a manobra se dá logo após as investigações propostas pelo PSOL contra o Banco Master e a Refit.

“A articulação conservadora já havia imposto um grave silenciamento ao engavetar o pedido de instauração das CPIs do Feminicídio e do Banco Master. O empenho de Renata Souza, nos últimos dias, no recolhimento de assinaturas para a abertura de uma CPI do Refit contribuiu para o acirramento da reação bolsonarista”, denuncia Renata.

A parlamentar acrescenta que a atuação fiscalizatória do PSOL  tem exposto esquemas que a base governista tenta abafar. 

“O incômodo dessa turma parece se tornou insustentável com os nossos pedidos de CPIs que podem atingir ainda mais o partido do ex-governador Cláudio Castro e do pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro. A resposta da extrema direita, com esse golpe, é autodenunciatória”, declara a deputada. 

Renata ainda afirma que sua destituição é um “ataque direto à vontade democrática”, uma vez que ela é a a mulher parlamentar com a maior votação da história da Alerj, reeleita com 174.132 votos.

“Silenciar a principal representante feminina do estado justamente na Comissão da Mulher é uma agressão que atinge não apenas o mandato, mas centenas de milhares de fluminenses, em especial da população feminina, majoritária no Rio, e ainda mais especificamente das mulheres negras”, afirma. 

Ela ainda lamenta a perda do espaço de acolhimento e defesa das mulheres e alerta ara um cenário de retrocesso iminente: “Essa manobra se dá em circunstâncias muito graves porque foi anunciado que o posto será assumido por alguém do campo bolsonarista, ou seja, do campo que reproduz o patriarcado, que pratica e propaga a misoginia e a subalternização das mulheres, uma cultura que está nas raízes dos graves números em escalada de estupros e feminicídios.”

Por fim, Renata afirma que não vai recuar e que “a extrema direita não conseguirá anular nas comissões o que as urnas consagraram”. “A tentativa de silenciamento regimental para blindar o status quo não paralisará a luta por transparência e justiça, por direitos e pela vida. A trincheira de fiscalização continuará sendo ocupada com a mesma contundência”, diz a deputada. 

Quem deve assumir as comissões

De acordo com o site Tempo Real RJ, a nova configuração das comissões deve ser: em Direitos Humanos, Dani Monteiro será substituída pelo conservador Alexandre Knoploch, do PL. O comando da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher deve ficar com a deputada Sarah Poncio (Solidariedade). Já na Comissão de Servidores Públicos, Flávio Serafini deve dar lugar a Renan Jordy, também do PL. 

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/psol-ofensiva-bolsonarista-alerj-perda-comissoes/