Instrutor preso em Limeira ignorava checagens, diz ex-chefe

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que morreu após ser lançada de ponte em Limeira (SP). Foto: Reprodução/Redes Sociais

Luís Felipe Egoroff, um dos três presos suspeitos pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas em um salto de rope jump em Limeira (SP), era negligente com questões de segurança, segundo Danilo Druzian, empresário para quem ele trabalhou entre 2018 e 2023.

Maria Eduarda tinha 21 anos e morreu após ser lançada de uma ponte sem corda durante a atividade. A Polícia Civil apura as circunstâncias do salto e investiga se os organizadores atuavam sem empresa formalizada.

Egoroff trabalhou como freelancer na Alta Queda, empresa de Druzian, até 2023. Depois de deixar o grupo, ele abriu há menos de um ano o negócio Entre Cordas com Maicon Fernandes Cintra, também preso, e Evelyne Goddard.

Druzian relatou que, em 2023, viu Egoroff preparar o salto de uma cliente usando uma forma antiga e menos segura de prender os mosquetões, conectores metálicos usados para atar as cordas. Ao ser corrigido, o instrutor teria reagido com “irritação e arrogância”.

Relatos apontam resistência a protocolos e treinamentos

Um ex-colega que pediu anonimato afirmou que Egoroff considerava “desnecessário” repetir tantas checagens, por um suposto “excesso de confiança”. A equipe usava rádios para se comunicar, e Druzian perguntava várias vezes sobre etapas de segurança; na segunda conferência, segundo o relato, o instrutor se incomodava.

“Ele já fez muitos saltos ao longo da vida, mais de 5 mil, confiava muito no que fazia. Mas isso pode causar um acidente, como o da Maria, por descuido e falta de atenção. Conheço os dois [Egoroff e Cintra], como pessoa também, são do bem, mas ali vejo que foi um excesso de confiança”, disse o ex-colega.

A mesma pessoa afirmou que Egoroff demonstrava resistência a treinamentos extras. Segundo esse relato, a direção da Alta Queda fazia reuniões e testes para “melhoria contínua”, mas ele “tinha resistência de participar desses tipos de curso”.

Druzian disse que decidiu desligar Egoroff e outros colaboradores há três anos por causa do compromisso da empresa com segurança. O empresário afirmou que tentou orientá-lo inúmeras vezes, mas pediu seu afastamento diante da repetição das condutas.

Ex-colegas também atribuíram a Egoroff “habilidades técnicas” na montagem de estruturas e fixação de cordas. Druzian o descreveu como alguém “muito frio” para saltar, com “ótima consciência corporal”, mas disse que ele ficava mais nos bastidores por falta de “tato” com clientes e dificuldade para orientar participantes na plataforma antes do salto.

Um vídeo publicado em 23 de setembro de 2022 voltou a circular nos últimos dias e mostra Egoroff saltando dentro de um saco preto quando ainda integrava a Alta Queda. Dois homens o seguram no estilo “aviãozinho”, levam-no até a ponta da plataforma e alguém grita “joga esse corpo”; na legenda, ele escreveu “Desovando corpo”. A empresa afirmou que a “brincadeira” ocorria apenas entre integrantes da equipe.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/instrutor-preso-por-morte-em-ponte-de-limeira-era-negligente-com-seguranca-diz-ex-chefe/