Marcello Lopes, o Marcelão, amigo e conselheiro de Flávio Bolsonaro, voltou ao centro de uma disputa milionária no governo Tarcísio de Freitas. Segundo a Coluna do Estadão, a Justiça de São Paulo determinou que o governo paulista reverta, de forma provisória, a desclassificação da agência do publicitário na licitação da Secom estadual.
A concorrência aberta pela Secretaria de Comunicação do Estado de São Paulo prevê a contratação de quatro agências de publicidade. O edital estima R$ 300 milhões para os primeiros 12 meses de contrato e afirma que as empresas contratadas não terão exclusividade na prestação dos serviços.
Marcello Lopes ficou em 1º antes de ser barrado
O detalhe que dá peso político ao caso está na própria papelada da Secom. A ata oficial de classificação técnica, publicada em 30 de março, colocou a CLX Comunicação e Publicidade, nome empresarial da Cálix Propaganda, em primeiro lugar na disputa, com 83,43 pontos.
Depois disso, a empresa foi desclassificada. Segundo documento da própria Secom localizado na apuração, a justificativa foi o suposto descumprimento de regras do edital pela utilização de imagens em movimento nas peças apresentadas. A vitória judicial noticiada pelo Estadão não fecha contrato, mas recoloca a agência na briga.
A licitação segue como um ponto sensível para Tarcísio. O governador é aliado do bolsonarismo e aparece entre os nomes cotados pela direita para reeleição em 2026, enquanto a agência ligada a um conselheiro de Flávio Bolsonaro tenta permanecer em uma concorrência de alto valor do governo paulista.
Conselheiro de Flávio saiu após crise com Vorcaro
Marcello Lopes não é apenas um antigo prestador de serviço da pré-campanha de Flávio. Ele circula no entorno do senador como amigo e conselheiro político, além de ter sido escolhido para comandar a comunicação do projeto presidencial do filho de Jair Bolsonaro.
A Fórum mostrou que Marcelão deixou a comunicação de Flávio Bolsonaro em meio ao desgaste provocado pelo caso Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A crise expôs o elo entre o publicitário e o banqueiro, que se tornou um problema para o núcleo político do senador.
Antes disso, a Fórum revelou que o marqueteiro de Flávio recebeu R$ 650 mil em Pix de Vorcaro em 2023. A revelação ampliou a pressão interna sobre a pré-campanha e abriu uma disputa no entorno bolsonarista sobre a estratégia de comunicação do senador.
Vitória judicial não significa contrato assinado
A decisão relatada pelo Estadão é provisória. Segundo a publicação, o governo de São Paulo informou que a licitação continua normalmente e que a agência aparece no processo como “sub judice”.
No material público consultado, não há registro de contrato assinado entre a Secom paulista e a agência de Marcello Lopes. Também não foi localizada nota pública da empresa sobre a decisão judicial no site oficial da Cálix Propaganda.
A própria Cálix informa em seu site que foi fundada em 2003 por Marcello Lopes e que já atendeu clientes públicos e privados. Agora, a agência tenta voltar a uma das maiores disputas de publicidade do governo Tarcísio.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/conselheiro-de-flavio-tarcisio/

