Alerta de El Niño extremo preocupa o agronegócio brasileiro; entenda os riscos

Durante o último El Niño, em 2024, Brasília acordava com fumaça encobrindo a capital proveniente de queimadas no Cerrado. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O mundo está diante de um novo El Niño com potencial para entrar no grupo dos eventos mais intensos já registrados desde 1950. A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, confirmou a formação do fenômeno e apontou 63% de probabilidade de que a temperatura da superfície do mar supere 2 °C na região monitorada do Pacífico. Com informações da Gazeta do Povo.

O alerta preocupa porque o fenômeno chega em um momento de fragilidade do agronegócio brasileiro. Produtores já enfrentam endividamento elevado, crédito mais caro, queda na rentabilidade, custos altos de insumos e retração de commodities. O risco climático, nesse cenário, funciona como um agravante para um setor que já opera sob forte pressão financeira.

O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, alterando padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta. No Brasil, o efeito costuma ser desigual: excesso de chuvas no Sul, seca severa no Norte e no Nordeste e instabilidade hídrica no Centro-Oeste, região central para a produção de grãos.

No campo, os impactos podem atingir culturas como soja, milho, trigo, algodão, café e cana-de-açúcar. No Sul, a chuva excessiva dificulta o manejo, favorece doenças e prejudica a qualidade dos grãos. Em Mato Grosso e no Matopiba, a ameaça é o atraso das chuvas e a ocorrência de veranicos durante fases decisivas do plantio.

Super El Niño
A previsão de anomalia de temperatura da superfície do mar para agosto-outubro, considerando a média de nove modelos, mostra uma ampla área no Pacífico equatorial com anomalias superiores a 2°C. Foto: Divulgação/ECMWF

A crise climática também pode chegar rapidamente ao bolso da população urbana. A combinação de quebra de safra, alimentos mais caros e pressão sobre a energia elétrica tende a pesar na inflação. O mercado já projeta o IPCA de 2026 acima da meta, e especialistas citados pela reportagem avaliam que o fator climático pode adicionar até 0,8 ponto percentual ao índice.

O setor elétrico é outro ponto de preocupação. A seca prevista para Norte e Nordeste pode reduzir reservatórios de hidrelétricas e elevar o acionamento de termelétricas, que produzem energia mais cara. Isso aumenta a chance de bandeiras tarifárias mais pesadas e amplia a pressão sobre a conta de luz.

A situação se soma a um quadro de inadimplência e recuperações judiciais no campo. Dados da Serasa Experian citados pela Gazeta apontam que o agronegócio fechou 2025 com 1.990 pedidos de recuperação judicial, o maior volume desde 2021. Com crédito restrito, clima adverso e custo maior de produção, o novo El Niño pode transformar uma crise rural em problema nacional de inflação, abastecimento e energia.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/alerta-de-el-nino-extremo-preocupa-o-agronegocio-brasileiro-entenda-os-riscos/