Vazamentos na CBF escondem disputa por poder e bilhões no futebol nacional

O presidente da CBF, Samir Xaud. Foto: Rafael Ribeiro/CBF

A crise em torno do presidente da CBF, Samir Xaud, ganhou uma nova leitura nos bastidores da entidade. Segundo a coluna de Andreza Matais no Metrópoles, além da hipótese de disputa interna de poder, cresce entre aliados a avaliação de que o dirigente estaria sendo alvo de grupos atingidos por mudanças em curso no futebol brasileiro.

A tese é que Xaud passou a contrariar interesses relevantes ao avançar sobre temas como calendário, arbitragem, fair play financeiro e, principalmente, o modelo de negócios que permite a investidores comprar fatias das receitas de clubes por longos períodos em troca de adiantamentos bilionários.

Esse é o ponto mais sensível da disputa. No modelo criticado por aliados da atual gestão, decisões estratégicas do futebol, inclusive sobre a comercialização de direitos, acabam influenciadas por agentes externos. A criação de uma liga única controlada pelos clubes, com maior autonomia das entidades esportivas, tende a reduzir esse poder.

Em abril, a CBF reuniu no Rio de Janeiro dirigentes dos 40 clubes das Séries A e B para apresentar um estudo comparando o Brasileirão às principais ligas do mundo. A diretriz defendida foi a de uma liga dos clubes, sem investidores ou agentes externos com poder de decisão sobre o futebol nacional.

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A fachada da sede da CBF. Foto: Reprodução/CBF

A iniciativa teve apoio de dirigentes como Luiz Eduardo Baptista, o BAP, presidente do Flamengo; Leila Pereira, presidente do Palmeiras; e Pedro Daniel, CEO do Atlético-MG. Até críticos tradicionais da CBF, como Mario Celso Petraglia, presidente do Athletico-PR, elogiaram a condução do processo.

Segundo Ricardo Gluck, presidente da Federação Paraense de Futebol, o sentimento interno é de que Xaud “virou alvo” justamente quando a CBF voltou a reunir clubes para discutir a criação de uma liga unificada. “Sabemos que são movimentos que incomodam muitos interesses externos”, afirmou.

Luciano Hocsman, presidente da Federação Gaúcha de Futebol, seguiu a mesma linha. Para ele, uma liga controlada por clubes e federações contraria interesses de grupos acostumados a exercer influência sobre o futebol brasileiro. Hocsman citou agentes financeiros e empresas com interesses comerciais relevantes que perderiam espaço com maior autonomia das entidades esportivas.

A disputa ainda está longe de terminar. Por trás da crise pública de Xaud, a coluna aponta uma guerra mais profunda: a briga pelo comando do dinheiro, dos direitos comerciais e das decisões estratégicas do futebol brasileiro.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/vazamentos-na-cbf-escondem-disputa-por-poder-e-bilhoes-no-futebol-nacional/