Integrantes do Palácio do Planalto minimizam o possível efeito negativo da condenação de Eduardo Bolsonaro pelo STF na relação do governo Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A avaliação de assessores da área internacional é que bolsonaristas tentariam usar outro episódio para atrapalhar o diálogo entre Brasília e Washington caso o julgamento não ocorresse agora.
Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que o governo seguirá atuando para reduzir o espaço de influência de bolsonaristas junto à administração americana. A estratégia citada por esses interlocutores passa pelo contato direto com a gestão Trump.
Assessores palacianos dizem que a interlocução direta entre Lula e Trump ajudou a dificultar ataques da extrema direita norte-americana ao Brasil. No Planalto, a leitura é que a aproximação de integrantes da família Bolsonaro com o governo americano costuma anteceder medidas prejudiciais ao país.
“Toda vez que um Bolsonaro se aproxima da Casa Branca, algo de ruim para o Brasil acontece. Isso aconteceu no ano passado, e não podemos esquecer as lições que tiramos disso”, afirmou, sob reserva, um dos interlocutores de Lula na área internacional.

Trump elevou o tom contra Lula após o G7
Mesmo com a avaliação de que a condenação de Eduardo não deve alterar a linha do governo brasileiro, Trump subiu o tom contra Lula em entrevista ao site norte-americano Axios na sexta-feira (19/6). O presidente dos Estados Unidos chamou Lula de uma pessoa “muito volátil” e disse que “não poderia se importar menos” com o presidente brasileiro.
Após o fim da reunião do G7, na França, na quarta-feira (17/6), Trump também comentou a situação política e judicial da família Bolsonaro. Ao falar sobre Eduardo, confundiu o filho de Jair Bolsonaro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Eduardo.
“Ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Eles agem com bastante dureza. Mas ninguém age com mais dureza do que os Estados Unidos. Nossas eleições são totalmente fraudadas”, declarou Trump.
Assessores do Planalto avaliam que a confusão de Trump indica um comentário improvisado. Lula rebateu a fala e afirmou que o presidente dos Estados Unidos “não tem o direito” de se meter nas eleições brasileiras, independentemente de suas preferências eleitorais.
Eduardo Bolsonaro recebeu do STF pena de 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de coação. A condenação ocorreu por sua atuação para interferir no julgamento em que Jair Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/planalto-minimiza-condenacao-eduardo-trump-bolsonaristas/

