A disputa entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo pode ir além de gols, títulos e estatísticas. Um estudo com 10.661 entrevistados em 26 países, incluindo o Brasil, aponta que a identidade política foi o fator individual mais consistente para explicar a preferência entre os dois jogadores. Segundo a pesquisa, pessoas mais ligadas a ideias de esquerda tenderam a preferir o argentino, enquanto eleitores mais conservadores se inclinaram por CR7.
A pesquisa, intitulada “Identidade Política Além da Política’, foi conduzida por professores e pesquisadores das universidades de Nanyang, em Singapura, e Carlos III, da Espanha. O trabalho parte da hipótese de que a polarização política e cultural não se limita mais a temas eleitorais e pode influenciar escolhas aparentemente distantes do debate partidário, como a admiração por atletas, celebridades e estilos de vida.
Os autores tratam a rivalidade Messi-Cristiano como um “estímulo cultural” global. Os dois jogadores são conhecidos em diferentes países, têm carreiras comparáveis e alto reconhecimento público.
Segundo o estudo, Messi costuma ser associado a uma imagem mais discreta, familiar e coletiva, enquanto Cristiano Ronaldo é percebido como uma figura de afirmação individual, autoconfiança e busca explícita por excelência. A pesquisa ressalta que não faz afirmações sobre as características reais dos atletas, mas sobre a forma como suas imagens públicas são recebidas.
Além da ideologia, outros fatores apareceram na análise. Pessoas com maior aprovação de atitudes autoritárias, maior autoestima e maior consumo de notícias em vídeos curtos tenderam a preferir Cristiano Ronaldo.
Já a “reflexão cognitiva”, isto é, um comportamento mais analítico e moderado, apareceu como preditor fraco de preferência por Messi. Empatia, consumo de mídia tradicional, idade isolada, gênero, escolaridade, classe social e interesse político não tiveram efeito significativo no modelo principal.

A relação entre política e preferência pelos jogadores foi mais forte entre entrevistados jovens e de meia-idade, perdendo força entre grupos mais velhos. Para os autores, isso indica que a fusão entre identidade política e gosto cultural parece mais presente em gerações socializadas em ambientes de maior polarização.
O levantamento foi realizado entre abril e maio de 2026, por meio da plataforma Qualtrics, com amostras por cotas em países de seis continentes. Cada participante avaliou Messi e Cristiano Ronaldo em uma escala de 1 a 7, de “muito desfavorável’ a “muito favorável”. A diferença entre as notas foi usada para medir a preferência relativa.
Entre os 26 países analisados, 19 apresentaram diferenças estatisticamente significativas. Oito tenderam a Messi, entre eles Argentina, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá. Onze tenderam a Cristiano Ronaldo, incluindo Portugal, França, China, México, Turquia e Indonésia. Outros sete países, entre eles o Brasil, não tiveram diferença significativa.
No Brasil, os 405 entrevistados mostraram divisão. Cristiano teve média de 5,82, contra 5,80 de Messi, diferença considerada estatisticamente irrelevante. Em um teste alternativo, o país apareceu com inclinação por Cristiano Ronaldo, mas os testes principais não confirmaram preferência significativa.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/messi-x-cristiano-ronaldo-estudo-aponta-preferencia-entre-os-craques-para-fas-de-esquerda-e-direita/

