Milão restaura o famoso mosaico do touro na Galleria Vittorio Emanuele II

A charmosa Galleria Vittorio Emanuele II está localizada no centro de Milão, a poucos passos do célebre Duomo. Além de sua arquitetura monumental, datada do século 19, o local abriga uma das tradições mais conhecidas – e curiosas – da cidade: o ritual de girar o calcanhar sobre o testículo do touro representado em um dos mosaicos mais famosos no piso da galeria.

À primeira vista, o costume pode causar estranhamento. Há gerações, porém, visitantes de todo o mundo friccionam o calcanhar sobre essa parte do mosaico e giram três vezes, em um ritual associado à boa sorte e à promessa de retornar a Milão.

Parada praticamente obrigatória em qualquer roteiro pela cidade, o mosaico foi recentemente restaurado em razão do desgaste provocado pelo pisoteamento constante. Houve até quem criticasse que, na nova versão, os testículos acabaram ficando pequenos demais, o que pode dificultar a vida de quem quer repetir o gesto no futuro.

Conheça mais detalhes sobre a origem da tradição e o processo de restauração.

O mosaico após a restauração de 2026, em foto compartilhada por um político local (Marco Granelli/Facebook/Reprodução)
Continua após a publicidade

A história por trás da tradição

Instalado no octógono central da galeria, o mosaico representa o touro rampante, símbolo de Turim. A cidade era a capital do Reino da Itália quando teve início, na década de 1860, a construção da galeria.

O significado do gesto, contudo, admite diferentes interpretações. Segundo a crença mais difundida entre os viajantes, girar sobre o mosaico do touro traz boa sorte e prosperidade. Outra versão sustenta que o ritual garante ao visitante a oportunidade de retornar futuramente a Milão — prática semelhante ao lançamento de moedas na Fontana di Trevi, em Roma.

Há, ainda, uma interpretação ligada à rivalidade histórica entre as duas cidades: o ato de os milaneses pisotearem a parte mais íntima do touro teria surgido como uma forma de insulto ou provocação dirigida a Turim, especialmente durante o período de intensa competição política e cultural entre as duas metrópoles do norte italiano.

Continua após a publicidade

Por dentro da restauração

Originalmente, o mosaico foi produzido com pequenos ladrilhos de mármore rosa, seguindo as técnicas e os desenhos característicos do século 19. Mas, devido à popularidade da tradição, a região correspondente aos testículos do touro precisa passar, de tempos em tempos, por manutenções.

Mosaico de chão com um touro branco empinado sobre um fundo azul, contornado por uma borda bege e preta, em um piso de ladrilhos brancos
Exemplo do desgaste sofrido pelo mosaico em função da tradição: restaurações são feitas periodicamente (G.dallorto/Wikimedia Commons)

A intervenção mais recente, concluída em maio de 2026, foi conduzida pelo especialista em restauração Gianluca Galli. Dessa vez, porém, o movimento constante dos calcanhares dos turistas havia formado uma pequena cratera, de aproximadamente 2,5 centímetros de profundidade, transformando os ladrilhos de mármore em pó.

Continua após a publicidade

Durante a restauração, Galli cortou manualmente as novas peças de pedra, respeitando os desenhos originais do período oitocentista. E, com o objetivo de aumentar a resistência da obra, a argamassa de cal e areia foi substituída por resinas epóxi, material mais durável diante da pressão provocada pelos visitantes. O trabalho minucioso levou cerca de quatro dias para ser concluído e teve um custo estimado de cinco mil euros.

Clique aqui para entrar em nosso canal no WhatsApp

Fonte: https://viagemeturismo.abril.com.br/mundo/milao-restaura-o-famoso-mosaico-do-touro-na-galleria-vittorio-emanuele-ii/