Nova fase no Combu: casas sustentáveis reforçam qualidade de vida de ribeirinhos

A poucos minutos de barco do centro de Belém, a Ilha do Combu é um dos maiores símbolos da relação entre a capital paraense e a Amazônia. Conhecida pelas paisagens exuberantes, pela produção artesanal de chocolate, pelo açaí e pelo turismo de experiência, a ilha também se tornou um exemplo de como comunidades ribeirinhas podem transformar saberes tradicionais em oportunidades de renda e empreendedorismo.

É nesse cenário que o Ministério das Cidades entrega, nesta terça-feira (23), as primeiras unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida Rural destinadas às famílias ribeirinhas do Combu. A ação representa mais do que a construção de casas: simboliza um investimento na qualidade de vida de uma população que aprendeu a gerar riqueza a partir da própria floresta, sem abrir mão de suas tradições e da preservação ambiental.

Inicialmente, serão entregues cinco moradias de um total de 45 unidades contratadas para atender as famílias da ilha. O empreendimento recebeu investimentos de R$ 3,375 milhões, e as demais residências deverão ser concluídas no próximo semestre.

As casas integram o projeto Sua Casa Sustentável, desenvolvido em parceria com a Companhia de Habitação do Pará (Cohab). A iniciativa foi reconhecida nacionalmente com o Troféu Mérito 2026 da Associação Brasileira de Cohabs, por adotar soluções inovadoras e adaptadas à realidade amazônica.

As unidades contam com sistemas de captação de água da chuva, energia solar, hortas verticais, biodigestores e alvenaria ecológica produzida a partir de resíduos do açaí. O projeto também prevê estruturas anexas voltadas à geração de emprego e renda, fortalecendo as atividades produtivas já desenvolvidas pelos moradores.

Da floresta ao empreendedorismo

Nas últimas décadas, a Ilha do Combu passou por uma transformação econômica. O que antes era uma comunidade marcada principalmente pela pesca e pelo extrativismo ganhou notoriedade pela capacidade de agregar valor aos produtos da floresta.

Hoje, os moradores produzem chocolates artesanais reconhecidos nacionalmente, administram restaurantes especializados em gastronomia amazônica, recebem turistas em pousadas e experiências de ecoturismo e comercializam produtos derivados do açaí, do cacau e de outros insumos da biodiversidade local.

O empreendedorismo comunitário transformou o Combu em um dos destinos mais procurados por visitantes que desejam vivenciar a Amazônia autêntica. A ilha se consolidou como exemplo de bioeconomia, demonstrando que é possível gerar emprego, renda e desenvolvimento social mantendo a floresta em pé.

Moradia e cidadania

Após a agenda na Ilha do Combu, o Ministério das Cidades também entregará títulos de regularização fundiária para moradores dos bairros Terra Firme, em Belém, e União, em Marituba.

Em Belém, estão previstas 14 entregas de títulos de legitimação fundiária, número que poderá chegar a 60 conforme a conclusão dos registros cartoriais, além de cinco matrículas de áreas públicas. Em Marituba, serão entregues 50 títulos para moradores do bairro União.

As ações fazem parte da política de ampliação do acesso à moradia digna e à segurança jurídica no Pará.

Para as famílias do Combu, as novas casas representam mais um capítulo na história de uma comunidade que transformou conhecimento tradicional em empreendedorismo e se tornou referência de desenvolvimento sustentável no coração da Amazônia.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/nova-fase-no-combu-casas-sustentaveis-reforcam-qualidade-de-vida-de-ribeirinhos/