Alvo de operação, ex-secretário de Ibaneis Rocha pagou R$ 50 mil em espécie por ternos de luxo

A Polícia Civil do Distrito Federal e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios deflagraram na semana passada a Operação Black-Tie, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa envolvendo agentes públicos e particulares.

Um dos principais alvos é o ex-secretário de Economia do DF Ney Ferraz Júnior, que integrou a gestão de Ibaneis Rocha.  Na quarta-feira (17), ele foi alvo de mandado de busca e apreensão. A operação também mirou o assessor comissionado da Secretaria de Economia Luiz Carlos de Sousa, com buscas no Anexo do Palácio do Buriti.

As apurações começaram em fevereiro de 2025, após órgãos de controle identificarem movimentações financeiras e patrimoniais consideradas incompatíveis com a capacidade econômica formalmente declarada por alguns investigados.

A partir desses indícios, os investigadores passaram a apurar a possível existência de mecanismos para ocultar a origem de recursos, dissimular patrimônio e viabilizar a atuação coordenada entre servidores e particulares para obtenção de vantagens indevidas.

Por determinação do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em imóveis localizados em Planaltina e no Noroeste, além de uma ordem judicial no Anexo do Palácio do Buriti. Também foram decretadas medidas patrimoniais para preservar bens que possam ter relação com os fatos investigados.

Ternos de luxo, dinheiro vivo e carro oficial

O nome da operação faz referência a um episódio que chamou a atenção dos investigadores no início das apurações: a compra de roupas de alto padrão com pagamento em espécie.

Segundo a coluna Eixo Capital, de Ana Maria Campos, no Correio Braziliense, Ney Ferraz, então no exercício do cargo de secretário de Economia do DF, esteve em janeiro de 2025 em uma loja de roupas masculinas no Iguatemi Shopping, em Brasília, onde comprou três ternos Hermenegildo Zegna por R$ 50 mil.

De acordo com a publicação, o pagamento foi feito em dinheiro vivo. Ferraz não teria informado CPF nem solicitado nota fiscal. Como a loja não emite nota acima de R$ 10 mil sem a identificação do cliente, o vendedor teria usado os dados da própria esposa para concluir a venda.

Ainda segundo a coluna, o valor foi entregue em cinco maços de R$ 10 mil, em notas de R$ 100. O dinheiro teria sido buscado pelo então secretário no carro, acompanhado pelo vendedor.

Outro ponto citado na reportagem é que Ferraz teria ido ao shopping dirigindo uma Pajero de uso oficial da Secretaria de Economia do DF. Ele ainda teria feito outras compras e recebido ajuda do vendedor para levar as sacolas até o veículo, na garagem do shopping.

Segundo a PCDF, esse episódio, somado a outros elementos reunidos ao longo da investigação, contribuiu para o aprofundamento das suspeitas sobre a origem e a destinação dos recursos movimentados pelos investigados.

O caso está sob responsabilidade do Departamento de Combate à Corrupção da Polícia Civil e da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social do MPDFT.

Como os fatos apurados teriam ocorrido quando Ney Ferraz exercia o cargo de secretário, a investigação tramita com autorização do Conselho Especial do TJDFT, sob relatoria do desembargador Alvaro Ciarlini.

Em nota, a Secretaria de Economia do DF confirmou o cumprimento de mandado contra um servidor vinculado à gestão anterior. A pasta informou que a ação ficou restrita à estação de trabalho do servidor e afirmou que colabora com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.

Operação Juros Zero

A investigação contra Ney Ferraz Júnior ocorre em meio a uma ofensiva do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios contra suspeitas de irregularidades no governo do DF. A Operação Juros Zero apura um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento dos servidores públicos do Distrito Federal.

A operação também mira o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, preso desde abril no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa envolvendo o BRB e o Banco Master.

Além de Ney Ferraz e Paulo Henrique Costa, a Juros Zero tem entre os alvos o BRB, a BRB Serviços, a Secretaria de Economia do DF, o Iprev-DF, o PicPay e empresas ligadas ao grupo. As apurações investigam possíveis irregularidades em operações relacionadas à folha de pagamento dos servidores do GDF e à oferta de produtos financeiros, como consignados.

O PicPay negou irregularidades e afirmou que seus produtos seguem as normas do setor. O BRB disse que não tem contrato com o PicPay no contexto da operação e que não interfere na relação entre servidores e a instituição de pagamento.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/operacao-secretario-ternos/