PSOL rebate Erika Hilton e diz que deputada “é o maior investimento do partido”

A direção nacional do PSOL, sob comando de Paula Coradi, rebateu as acusações feitas pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que, por meio de uma publicação nas redes sociais, acusou a presidência do partido de boicotar candidaturas negras e descumprir acordos firmados.

Em um dos pontos, a nota assinada pela presidência do PSOL afirma que, ao contrário do que disse Erika Hilton, as políticas de inclusão não foram descontinuadas:

“A distribuição de recursos eleitorais está em conformidade com esses objetivos. O incentivo — inclusive financeiro, no qual o PSOL é pioneiro — a candidaturas de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTs e PCDs é uma política consolidada, não havendo debate em torno de mudanças nesse sentido.”

Posteriormente, a direção nacional do PSOL afirma que a candidatura de Erika Hilton está posicionada como prioridade no que diz respeito a investimentos:

“[…] Ao mesmo tempo, posiciona a campanha de Erika Hilton como maior investimento entre todas as candidaturas proporcionais do partido, diante do limite de recursos disponíveis e da necessidade de financiamento das demais candidaturas, tanto majoritárias quanto proporcionais, em todas as Unidades da Federação.”

Erika Hilton acusa direção do PSOL de boicotar candidaturas negras e descumprir acordos

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) usou as redes sociais nesta terça-feira (23) para afirmar que a direção nacional do PSOL, sob comando de Paula Coradi, boicota candidaturas negras e privilegia chapas compostas por pessoas brancas, cis e recém-chegadas à legenda.

Erika Hilton também revelou que a presidência do PSOL não está cumprindo acordo firmado com a corrente da qual ela e Guilherme Boulos fazem parte, a Revolução Solidária, que decidiu não migrar para o PT e permanecer no Partido Socialismo e Liberdade para ajudar a legenda a superar a cláusula de barreira.

“Eu e muitas lideranças decidimos ficar no PSOL para ajudar o partido a superar a cláusula de barreira, porque nossa responsabilidade nestas eleições é gigante: dar nosso melhor, tudo de nós, para reeleger o presidente Lula e garantir uma bancada de esquerda mais forte, maior, para sustentar o governo e disputar a sociedade. Mas, para isso, o PSOL precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando”, inicia Erika Hilton.

Em outro momento, Erika Hilton afirmou que sua candidatura e a de outras lideranças do movimento negro e de trabalhadores estão sendo boicotadas, enquanto candidaturas brancas e cis estão sendo privilegiadas na distribuição de recursos da legenda para a disputa eleitoral.

“É um absurdo que a direção partidária feche os olhos para essa realidade. Hoje, Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. Manuela D’Ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro. Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios… A inteligência política passou longe. É uma tentativa de asfixiar quem está na linha de frente em detrimento de um perfil de pré-candidaturas bem específico, de grupos que só pensam em si mesmos e estão, mais uma vez, arriscando a viabilidade do PSOL.”

Posteriormente, Erika Hilton acusa a presidenta do PSOL, Paula Coradi, de desmontar a política nacional de inclusão da legenda:

“Tanto é assim que, comandado por Paula Coradi, presidenta nacional, o PSOL simplesmente desmontou a sua política nacional de inclusão, que garantia repasses nacionais justos com ajustes por gênero, raça e para pessoas com deficiência (PCD), exatamente no momento em que o próprio Tribunal Eleitoral reconhece a importância histórica e a necessidade dessa política. É um retrocesso inaceitável.”

Mas, para além de sua candidatura, Erika Hilton elenca outras figuras do partido que também estariam sendo boicotadas e destaca, como exemplo, Rick Azevedo, fundador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que culminou na PEC que coloca fim à escala 6×1:

“O partido ignorou e subestimou o Rick na última eleição, ele foi para a rua, foi o mais votado, enquanto o PSOL encolheu, em grande parte pela má distribuição dos seus recursos sob critérios que são políticos. E agora o PSOL está prestes a repetir exatamente o mesmo erro com ele!”

Para a deputada, da forma como as coisas estão sendo conduzidas pela presidência do PSOL, o partido caminha para o “suicídio político”:

“Ninguém quer tirar o básico ou negar importância de quem está nas suas primeiras campanhas. O que não podemos aceitar é a falta de transparência e o suicídio político de sufocar quem tem a força popular para garantir a sobrevivência do partido. Nós ficamos no PSOL para superar a cláusula de barreira e eleger bancadas fortes. Agora, exigimos que a direção cumpra a sua palavra.”

A reportagem da Fórum entrou em contato com a assessoria da presidenta do PSOL, Paula Coradi, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue em aberto.

https://x.com/ErikakHilton/status/2069462774011281872

Confira abaixo a íntegra da resposta da direção nacional do PSOL à deputada Erika Hilton: 

“O PSOL empenha toda a sua energia para derrotar a extrema-direita nas eleições de outubro, ampliando sua bancada de deputados federais e estaduais, conquistando cadeiras no Senado e reelegendo Lula presidente da República.

A distribuição de recursos eleitorais está em conformidade com esses objetivos. O incentivo — inclusive financeiro, no qual o PSOL é pioneiro — a candidaturas de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTs e PCDs é uma política consolidada, não havendo debate em torno de mudanças nesse sentido.

A proposta, que ainda será votada nas instâncias partidárias, leva em conta essas metas e estabelece um teto, com o maior valor possível, para todos os detentores de mandato que buscarão a reeleição, considerados nossos principais puxadores de voto.

Ao mesmo tempo, posiciona a campanha de Érika Hilton como maior investimento entre todas as candidaturas proporcionais do partido, diante do limite de recursos disponíveis e da necessidade de financiamento das demais candidaturas, tanto majoritárias quanto proporcionais em todas as Unidades da Federação.

O PSOL tem como missão fazer a política brasileira se parecer mais com o povo. Por isso, nossa bancada é a mais diversa do Congresso Nacional. Em 2026, vamos novamente transformar esse compromisso em representação concreta.

Direção nacional do PSOL”

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/psol-rebate-erika-hilton/