Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda, fez nesta terça-feira (23) uma defesa pública do senador Jaques Wagner (PT-BA), após a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal na semana passada no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.
Haddad afirmou que teve participação direta em conversas com o senador sobre o tema e disse que Wagner atuou para barrar interesses da instituição financeira. “Sou testemunha de que ele atuou contra o Banco Master e ajudou o governo a bloquear os interesses da instituição”, declarou o ex-ministro. Ele ainda acrescentou: “Posso depor onde ele quiser.”
O posicionamento marca uma mudança em relação à fala inicial de Haddad após a operação, quando ele limitou-se a afirmar que torcia para que “a Justiça seja feita” e disse que lamentaria “se uma pessoa próxima a mim errou”.
Na segunda-feira (22), Jaques Wagner apresentou recurso ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), questionando a decisão que autorizou as buscas em seus endereços. A defesa sustenta que há “erros graves que comprometem a medida”.
Entre os pontos contestados pelos advogados, está a interpretação de que o senador teria atuado no Congresso para favorecer o Banco Master. Segundo a defesa, Wagner teria se posicionado contra a chamada “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira, que buscava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Os advogados também afirmam que o parlamentar, na verdade, teria atuado no sentido oposto ao interesse da instituição financeira no Legislativo.

Haddad reforçou essa versão ao afirmar que o senador atuou contra o banco em articulação política dentro do governo. “Ele agiu contra o Master inclusive a meu pedido. Conversamos sobre essa emenda e eu expliquei a situação e a necessidade de votarmos contra. Ele entendeu, concordou e encaminhou a votação nesse sentido”, disse.
O ex-ministro ainda reiterou a defesa do aliado político ao afirmar: “Sou testemunha de que ele atuou contra o Master. Jaques Wagner bloqueou os interesses do banco no Senado, e não o contrário”.
A operação que teve Wagner como alvo cumpriu mandados de busca e apreensão em diferentes endereços ligados ao senador. A Polícia Federal encontrou valores em moeda estrangeira, que foram apreendidos, incluindo US$ 55 mil e 33 mil euros.
Segundo o parlamentar, parte do dinheiro seria referente a diárias de viagens oficiais pagas pelo Senado, enquanto outra parte teria origem em operações regulares.
No mesmo contexto investigativo, a PF também apontou conexões entre o empresário Augusto Lima e o caso, incluindo a compra de um imóvel que, segundo os investigadores, seria vinculado ao senador, além de supostos benefícios como uso de jatos privados e aquisição de ingressos para eventos no exterior.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/haddad-sai-em-defesa-de-jaques-wagner-sou-testemunha-dele-contra-o-master/

