A Associação Movimento Brasil Laico pediu ao Ministério Público de São Paulo a investigação dos policiais militares que entraram na Emei Antônio Bento, no Butantã, zona oeste da capital paulista, após um pai acionar a corporação por causa de um desenho da orixá Iansã feito pela filha, de 4 anos. A representação foi protocolada nesta terça-feira (23), depois da divulgação de imagens das câmeras corporais da ocorrência.
A entidade afirma que as gravações reforçam indícios de intolerância religiosa, abuso de autoridade e constrangimento contra educadoras da unidade. As imagens mostram policiais questionando a atividade pedagógica desenvolvida pela escola e discutindo com a direção após serem chamados pelo pai da aluna.
Em um dos trechos registrados pela câmera corporal, um tenente acusa a diretora de tentar impor uma visão ideológica. “A senhora quis impor e ditar as suas regras, ditar seu pensamento, ditar a sua ideologia. Não vou conversar com a senhora agora. E, se tiver alguma medida, eu tomarei; voltarei aqui com a medida administrativa”, afirmou o policial durante a abordagem.
Em São Paulo, um pai acionou a Polícia Militar para contestar uma aula sobre cultura afro-brasileira e africana.
E por algum motivo os policiais entraram armados na escola para abordar a diretora e afirmaram que ela estava passando sua “ideologia”. pic.twitter.com/AE0shSpFsL
— Africanize (@africanize_) June 22, 2026
A Bancada Feminista do PSOL também apresentou representações à Corregedoria da Polícia Militar e ao Ministério Público de São Paulo. O mandato coletivo pede a apuração da conduta dos agentes e sustenta que a entrada de policiais armados em uma escola de educação infantil para questionar uma atividade sobre cultura afro-brasileira extrapolou as atribuições da corporação.
Nos documentos, as parlamentares afirmam que a ação pode configurar racismo religioso e abuso de autoridade. Elas também argumentam que a presença dos policiais teve efeito intimidatório sobre professores, funcionários e crianças, além de representar interferência indevida em uma atividade prevista no currículo escolar.
O caso ocorreu em novembro de 2025. A atividade que motivou a reação do pai era baseada no livro infantil “Ciranda em Aruanda”, da autora Liu Olivina, que integra o acervo oficial da rede municipal de ensino. Após a leitura da obra, os alunos fizeram desenhos inspirados nos personagens apresentados. A menina desenhou Iansã, orixá ligada aos ventos e às tempestades.
O pai da criança, que também é policial, afirmou aos agentes que a filha estaria sendo obrigada a ter aula de uma religião diferente da sua. Segundo relatos colhidos na época, policiais entraram na escola portando armas de grosso calibre, o que assustou crianças e profissionais da unidade.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/psol-quer-apuracao-contra-pms-que-foram-armados-a-escola-por-desenho-de-orixa/

