FecomercioSP critica 6×1 e voto no Bolsa Família

Ivo Dall’Acqua Júnior, no terraço da sede da FecomercioSP. Foto: Reprodução

 

Ivo Dall’Acqua Júnior, novo presidente da FecomercioSP, criticou o fim da escala 6×1 e questionou o voto de beneficiários de programas sociais em entrevista de quase três horas à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. O empresário assumiu a entidade após a saída de Abram Szajman, que deixou o comando em maio depois de 42 anos no cargo.

Dall’Acqua passou a representar os interesses de 1,8 milhão de empresários do comércio de bens, serviços e turismo em São Paulo em meio ao debate sobre a redução da jornada de trabalho. Na entrevista, ele classificou propostas de mudança na escala como fruto de “populismo explícito” e defendeu que patrões e empregados negociem alterações desse tipo, sem imposição do Estado.

Ao tratar do fim da escala 6×1, o presidente da FecomercioSP afirmou que mudanças na jornada precisam ser construídas por negociação. Segundo ele, não seria possível impor um modelo único a atividades com características diferentes. Dall’Acqua citou o caso da saúde, setor em que parte dos trabalhadores já atua em escala 12×36, e comparou a jornada brasileira com a de países como a Alemanha.

O empresário também criticou pontos da legislação trabalhista, chamou encargos de “penduricalhos” e afirmou que o Brasil remunera “mais o tempo livre do que o tempo trabalhado”. Para ele, propostas de redução da jornada têm forte apelo popular porque apresentam ao trabalhador a possibilidade de trabalhar menos e receber o mesmo salário, mas deixam de explicitar custos e consequências.

Dall’Acqua ainda atribuiu parte da informalidade a programas de transferência de renda, como o Bolsa Família e o seguro-defeso. Ele disse que beneficiários devem receber apoio do Estado, mas também precisam ser preparados para conquistar autonomia. Ao ser questionado sobre as contrapartidas já existentes no Bolsa Família, como frequência escolar e vacinação, afirmou que isso seria “obrigação da sociedade” e defendeu mecanismos para estimular a entrada no mercado formal.

Em outro trecho da entrevista, Dall’Acqua disse que restringir o voto de beneficiários de programas sociais seria “uma condição interessante”, mas depois enviou uma retificação à coluna. “Afirmei, de maneira equivocada, que em países desenvolvidos os beneficiários desses programas não podem votar. Foi um equívoco de minha parte, que faço questão de corrigir. Num país democrático todos devem ter o direito ao voto. É fundamental que assim seja e permaneça”, afirmou.

Sede da FecomercioSP, na região Central de São Paulo. Foto: Reprodução

Na mesma retificação, o líder patronal afirmou defender “mecanismos eficazes que condicionem a manutenção do benefício à comprovação de sua necessidade e a busca de uma vaga formal de emprego”. Ele acrescentou que esse modelo existe, “com diferentes formatos”, em alguns países.

Dall’Acqua também falou sobre Sesc e Senac, que completarão 80 anos em 2026. No Senac, citou a expansão do ensino médio técnico, com 17 especialidades e cerca de 10 mil jovens interessados no ano passado; no Sesc, mencionou projetos em São Miguel Paulista, Campo Limpo, Pirituba, Sapopemba e Parque Dom Pedro, além do teatro projetado por Lina Bo Bardi para a unidade de São Bernardo do Campo, previsto para 2028.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/presidente-da-fecomerciosp-sugere-limitar-voto-de-quem-recebe-bolsa-familia/