Coordenadora de Flávio Bolsonaro foi conselheira do Digimais

Daniella Marques. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A economista Daniella Marques Cosentino, coordenadora do programa econômico do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), integrou o Conselho de Administração do Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo e alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal. Com informações do Metrópoles.

Registros da Junta Comercial de São Paulo mostram que Daniella participou do conselho do Digimais entre fevereiro de 2024 e 8 de dezembro de 2025. A informação liga uma assessora central da pré-campanha de Flávio a uma instituição financeira investigada por suspeitas de irregularidades em operações de crédito.

A PF cumpriu buscas contra executivos do banco na terça-feira (23). Edir Macedo teve sigilos bancário e fiscal quebrados, e a investigação também determinou o confisco de R$ 670 milhões dele e de outros investigados. Daniella não foi alvo da operação.

O Digimais investiu cerca de R$ 600 milhões em carteiras de crédito vinculadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, preso pela PF. Segundo a polícia, a manutenção de créditos de “origem duvidosa” e a captação de dinheiro com taxas acima do mercado indicam gestão temerária ou fraudulenta no banco de Edir Macedo.

Passagem por Caixa, Paulo Guedes e pré-campanha de Flávio

Daniella Marques presidiu a Caixa Econômica Federal na gestão de Jair Bolsonaro (PL). Ela chegou ao comando do banco em 2022, após a queda de Pedro Guimarães, e afirmou ter chorado diante do então presidente ao receber o convite para assumir o cargo.

Antes da Caixa, Daniella trabalhou na equipe de Paulo Guedes, então ministro da Economia. Em 2018, o Ministério Público a chamou para depor em uma investigação da Operação Greenfield sobre a atuação de Guedes na administração de fundos de pensão, mas o Tribunal Regional Federal da 1ª Região arquivou o caso.

Neste ano, Daniella deixou a consultoria Legend Capital para coordenar o programa econômico da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Ela declarou que não será ministra da Fazenda ou da Economia em um eventual governo do senador do PL. A reportagem do Metrópoles pediu entrevista a Daniella, e também procurou Flávio Bolsonaro e o Banco Digimais.

O bispo Edir Macedo, gestor do banco Digimais. Foto: Reprodução/redes sociais

A PF afirma que há indícios de manipulação de mercado no caso Digimais. “Os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, para aparentar solvência perante os órgãos de controle e para viabilizar operações supostamente irregulares”, disse a corporação.

A investigação aponta que o Digimais adotou método semelhante ao usado pelo banco de Daniel Vorcaro. “A diretoria do Banco Digimais replicou a prática de superavaliar ativos mediante a emissão de títulos com rentabilidades desproporcionais aos indicadores de mercado, efetuando manipulações nos balanços, com o objetivo de ocultar dos órgãos de controle a deterioração da sua carteira de crédito”, afirma a representação da PF.

Em janeiro de 2025, o ex-sócio e executivo do Banco Master Maurício Antonio Quadrado tentou comprar o Banco Digimais por meio da holding Bluebank. O Banco Central barrou a operação por causa dos riscos associados.

A PF também cita a evolução dos ativos da controladora do Digimais, a B.A. Empreendimentos e Participações S.A., que passaram de R$ 785 milhões em 2024 para R$ 1,8 bilhão em 2025, segundo auditoria publicada com o balanço. Em 8 de dezembro de 2025, o Conselho de Administração do Digimais, do qual Daniella fazia parte, acabou extinto, embora o mandato dela devesse seguir até 20 de junho de 2026.

No fim de dezembro de 2025, após a saída dos conselheiros, a controladora comprou do próprio Digimais R$ 741 milhões em cotas do fundo Hermon FIDC-NP. A auditoria afirmou que a compra “não reflete condições usuais de mercado”, porque os valores não eram condizentes e os pagamentos dependiam de aportes dos próprios controladores.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/coordenadora-flavio-bolsonaro-conselheira-banco-edir-macedo/