Não é à toa que Paulo Figueiredo, o neto de ditador foragido nos Estados Unidos odeia tanto as mulheres e, sobretudo, o voto feminino. Em uma live, ao fazer críticas à Michelle Bolsonaro, ele afirmou que “mulheres votam estatisticamente muito mal”.
Nas eleições presidenciais de 2022, o eleitorado feminino foi um dos fatores mais decisivos para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL). De acordo com levantamentos realizados por institutos como o Datafolha, caso apenas os votos das mulheres fossem considerados no segundo turno, a vantagem do petista teria sido significativamente maior do que a registrada no resultado geral.
Enquanto o placar oficial da disputa foi de 50,9% dos votos válidos para Lula contra 49,1% para Bolsonaro, as estimativas com base nos recortes de gênero indicam que o então candidato do PT teria obtido entre 55% e 56% dos votos válidos entre as mulheres, contra cerca de 44% a 45% do ex-presidente.
O desempenho superior de Lula entre o eleitorado feminino foi determinante para compensar a vantagem conquistada por Bolsonaro entre os homens, segmento no qual o então presidente registrou índices estimados entre 53% e 55% dos votos válidos.
Vitória no primeiro turno
Os levantamentos também sugerem que, se apenas o eleitorado feminino tivesse participado da votação no primeiro turno, a disputa poderia ter sido definida sem a necessidade de uma segunda rodada. Pesquisas realizadas pelos institutos Quaest e Datafolha indicavam que Lula oscilava entre 48% e 52% das intenções de voto entre as mulheres, enquanto Bolsonaro permanecia abaixo dos 30% nesse segmento.
A então candidata do MDB, Simone Tebet, também apresentou desempenho proporcionalmente superior entre as eleitoras, especialmente após os debates presidenciais televisionados.
Pesquisas qualitativas realizadas durante a campanha apontaram que discursos e posicionamentos de Jair Bolsonaro encontravam maior resistência entre as eleitoras do que entre os eleitores homens.
As mulheres representavam mais de 52% do eleitorado brasileiro em 2022, o equivalente a cerca de 82 milhões de pessoas. O peso numérico desse segmento faz com que seu comportamento eleitoral seja considerado estratégico e, frequentemente, decisivo nas disputas presidenciais brasileiras.
Quaest
E, a depender dos resultados da última pesquisa Quaest, a história deverá se repetir. Segundo o instituto, 35% das mulheres dizem ser “antibolsonaristas”. Outros 28% afirmam ser independentes e 25% “antipetistas”. Outras 9% dizem ser contra os dois polos da disputa e 3% não se posicionaram.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/lula-teria-sido-eleito-no-1o-turno-em-2022-se-so-as-mulheres-votassem/

