Com Mãe Bonifácia na comunidade quilombola Junco, em São João do Piauí (PI), em 2012 (acervo nêgo bispo)
O que significa criar uma política de viver (e não simplesmente sobreviver) apesar da violência atmosférica do colonialismo e de seus pós-vidas? Como podemos imaginar novas formas de libertação, paz e realização ontológica? Antônio Bispo dos Santos nos ensina que a resposta é simples – seguir o intuito das cosmovisões indígenas (falamos de aldeia, quilombo e terreiro). No caso de Bispo, essa cosmovisão é quilombola. Para navegarmos o mundo, precisamos escutar o mundo (ouvir os pássaros) e entender que nossa relação com todas as dimensões do planeta e do universo é dialética (a terra dá, a terra quer). Precisamos substituir o colonial pelo mundo do saber, pelo mundo do viver. Para que isso seja feito, precisamos criar espaços de refúgio, ou, conforme Beatriz Nascimento nomeia, zonas de fuga/quilombo.
Gostaria de considerar o que aprendemos ao pôr em diálogo o quilombo lido por Nêgo Bispo e Beatriz Nascimento – e considerá-los parte da maior tradição radical negra. Considero, especificamente, o que significa retornar à cosmovisão de Beatriz Nascimento sobre o quilombo como acampamento de guerra e à possibilidade de paz no quilombo, em conversa com a articulação da cosmovisão do quilombo como contracolonial de Nêgo Bispo: a restauração de nossa relação simbiótica com a terra para subverter a violência colonial.
Juntos, acredito que eles sugerem que o quilombo não é simplesmente uma realidade física e geográfica, mas também metafísica – que dobra o espaço/tempo para conectar a vida entre dimensões. Esse conceito de
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Fonte: https://revistacult.uol.com.br/home/vida-entre-dimensoes-metafisica-do-quilombo-e-cosmovisao/

