A anulação do gol da Croácia contra Portugal e do gol do Irã diante do Egito colocou a regra do impedimento no centro das discussões da Copa do Mundo de 2026.
Embora as duas decisões tenham seguido a interpretação atual das regras, os lances levantaram questionamentos sobre situações em que a aplicação literal da lei acaba contrariando o espírito do jogo.
A primeira polêmica ocorreu na partida entre Croácia e Portugal. Após a arbitragem invalidar o gol croata nos acréscimos, o ex-atacante sueco Zlatan Ibrahimović reagiu com indignação.
Atuando como comentarista da Fox Sports, ele classificou a decisão como um “roubo” e afirmou que não houve impedimento porque, na sua avaliação, quem tocou na bola antes da finalização foi o defensor português Renato Veiga, e não o atacante croata Igor Matanović.
“Foi uma partida fantástica, arruinada no fim pelo VAR. Não vejo nenhuma irregularidade no gol do 2 a 2. O VAR anulou, mas para mim foi um roubo. Ou o sensor da bola não estava funcionando, ou alguma coisa deu errado, porque Renato Veiga tocou na bola, o que significa que não havia impedimento”, afirmou.
O ex-jogador também declarou que “queriam Portugal e Cristiano Ronaldo nas oitavas de final para enfrentar a Espanha”.
A FIFA respondeu à controvérsia informando que os dados da Connected Ball Technology, chip instalada na bola oficial Adidas Trionda, registraram um toque de Matanović na origem da jogada. Segundo a entidade, essa informação permitiu confirmar corretamente a posição de impedimento e justificar a anulação do gol.
Dias antes, outro lance havia provocado discussão semelhante. Na partida entre Irã e Egito, o zagueiro Shoja Khalilzadeh marcou o gol que classificaria sua seleção às oitavas de final, mas o lance também foi anulado após revisão do impedimento semiautomático.
Nesse caso, a controvérsia não envolveu um toque na bola, mas a própria redação da regra. O goleiro egípcio Mostafa Shobeir havia saído da meta para disputar a jogada e ficou à frente da linha defensiva. Como consequência, Khalilzadeh passou a ter apenas os defensores de linha como referência para o impedimento. Embora visualmente parecesse em posição legal, acabou sendo considerado impedido por poucos centímetros.
O objetivo histórico do impedimento sempre foi impedir que atacantes permanecessem próximos ao gol adversário aguardando um passe para marcar. No entanto, situações como a do Irã levantam dúvidas sobre a necessidade de considerar também a posição do goleiro, que exerce uma função distinta dos demais jogadores, utiliza uniforme próprio e frequentemente abandona a meta apenas em jogadas excepcionais.
O Conselho Internacional da Associação de Futebol deveria revisar esse ponto específico da regra. Uma das propostas é que o impedimento passe a considerar apenas o último defensor de linha, independentemente da posição do goleiro. Outra alternativa discutida seria restringir ou até eliminar a aplicação do impedimento dentro da área adversária, seguindo modelos adotados em outros esportes.
Com o avanço das tecnologias de arbitragem e a precisão cada vez maior das revisões, cresce também a discussão sobre a necessidade de adaptar a Lei 11 para que ela continue cumprindo seu objetivo original sem produzir decisões que muitos torcedores e especialistas consideram artificiais.
This is the “header” that robbed Croatia of a last minute equaliser against Portugal #PORCRO
He was deemed to have made contact with the ball and therefore the goal was offside.
VAR is the most soul sapping invention ever. Spontaneous joy doesn’t exist anymore in Football. pic.twitter.com/A5STNN6u81
— Neil Hughes (@BlobWarriorUK) July 3, 2026
The disallowed Iranian goal due to an offside call in the match against Egypt has captured global attention.
Do you think it was the right call? ⚽️🔥 pic.twitter.com/EWnePC0KP1
— China V (@China_V7) June 27, 2026
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/gols-anulados-de-croacia-e-ira-mostram-que-regra-do-impedimento-precisa-mudar/

