Esposa de Alexandre Ramagem pede licença para disputar eleição

A procuradora de Roraima Rebeca Teixeira Ramagem Rodrigues, esposa de Alexandre Ramagem, solicitou, em 15 de junho, uma nova licença à Procuradoria-Geral do Estado de Roraima (PGE-RR) para disputar as eleições de 2026.

Alexandre Ramagem foi condenado a mais de 16 anos de prisão por envolvimento na trama golpista e está foragido nos Estados Unidos.

O pedido foi feito enquanto a procuradora está com o salário suspenso desde dezembro de 2025 por decisão sigilosa do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme documentos internos da PGE-RR obtidos pelo G1.

Rebeca acumula quase oito meses de afastamento ininterrupto das funções. Ela reside na Flórida desde o fim de 2025 e se apresenta nas redes sociais como “exilada política”.

A PGE-RR não confirmou se o novo pedido foi deferido.

Rebeca Ramagem pede licença para disputar eleição

A procuradora solicitou que a licença eleitoral passasse a valer em 4 de julho, data que corresponde ao prazo legal de três meses antes do primeiro turno das eleições, exigido para a desincompatibilização de servidores públicos que pretendem se candidatar.

O requerimento, protocolado em 15 de junho, não especifica o cargo pretendido. Junto ao pedido, Rebeca anexou sua ficha de filiação ao PL do Rio de Janeiro, partido ao qual é filiada desde março de 2022.

Ao solicitar o afastamento, a procuradora pediu também que continuasse a receber remuneração durante a licença.

O pedido esbarra, porém, em um obstáculo concreto: segundo documentos internos da PGE-RR obtidos pelo G1, seu salário está suspenso desde dezembro de 2025, em cumprimento a uma decisão sigilosa do STF.

O Departamento de Recursos Humanos do órgão alertou que caberá ao procurador-geral do Estado decidir se o pagamento será liberado mesmo com a suspensão judicial em vigor.

Um despacho do RH, datado de 30 de junho, registra que Rebeca está “quite com a Justiça Eleitoral e não possui registro de condenação criminal eleitoral transitada em julgado”. O mesmo documento, porém, confirma que ela não recebe salário desde dezembro de 2025.

Histórico de afastamentos e situação funcional

Caso o pedido seja deferido, Rebeca Ramagem chegará a 229 dias ininterruptos afastada das atividades na PGE-RR.

A sequência começou em 17 de novembro de 2025, quando ela iniciou um período de férias. Desde então, não retornou ao trabalho.

Somaram-se prorrogações das férias até 19 de dezembro, o recesso forense do órgão entre 20 de dezembro e 6 de janeiro de 2026, atestados médicos não reconhecidos e, a partir de 9 de maio de 2026, uma licença-prêmio referente aos cinco anos de trabalho entre março de 2020 e março de 2025.

Esse benefício terminaria em 7 de julho, mas o novo pedido de licença eleitoral interrompe a contagem, preservando os dias restantes para uso futuro.

O período entre 7 de janeiro e 20 de fevereiro de 2026 concentra uma pendência funcional relevante: 45 dias de faltas que a procuradora ainda precisa justificar internamente.

Na época, ela apresentou um atestado médico, mas o documento não foi validado pela junta oficial porque Rebeca não compareceu a duas perícias presenciais exigidas pelo órgão.

O caso tramita sob sigilo na Corregedoria da PGE-RR. Nas redes sociais, durante todo esse período, a procuradora compartilhava fotos com a família nos Estados Unidos.

O contexto político e familiar

A candidatura de Rebeca Ramagem não pode ser analisada fora do contexto envolvendo seu marido.

Alexandre Ramagem teve o mandato de deputado federal cassado e foi condenado pelo STF a mais de 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Em setembro de 2025, após a condenação, deixou o Brasil de forma clandestina, sem passar por qualquer posto migratório. Ele embarcou de Georgetown, na Guiana, para Miami.

Em abril deste ano, foi preso pelo serviço de imigração americano (ICE) e solto dois dias depois.

Rebeca acompanhou a fuga e reside na Flórida desde o fim de 2025. Em novembro daquele ano, publicou nas redes sociais que a família havia decidido ir para os Estados Unidos para “proteger a família”.

Desde então, passou a se apresentar como “exilada política”.

Em fevereiro de 2026, divulgou um vídeo afirmando ser vítima de perseguição política. Ela alegou que o governo de Roraima teria negado a realização de perícia médica por telemedicina e suspendido seu regime de teletrabalho “de forma arbitrária”.

Essa narrativa é apresentada enquanto seu marido permanece foragido após condenação por tentativa de golpe de Estado.

“Todo mundo que é filiado ao partido pode se colocar na condição de pré-candidato. Ela é um nome excepcional para se lançar.” A declaração é do presidente do PL na capital fluminense, Bruno Bonetti, ao jornal *O Globo*, sobre a possível candidatura de Rebeca a uma vaga na Câmara dos Deputados.

A aprovação final do pedido, porém, cabe exclusivamente ao procurador-geral do Estado, Paulo Luís de Moura Holanda, que não comentou o caso.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/esposa-alexandre-ramagem-disputar-eleicao/